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sábado, 19 de abril de 2014

WAGNER - BIOGRAFIA





Wilhelm Richard Wagner, compositor, maestro, intelectual, ativista político e representante do neo-romantismo alemão, cuja obra influenciou a música ocidental. Wagner nasceu em uma família de artistas.

Viveu cerca de três anos em Paris e, em 1842, com 29 anos, retornou a Alemanha onde sua ópera "Rienzi" foi encenada.

Nomeado regente da ópera real, ocupou esse posto até 1849. Escreveu artigos defendendo a revolução alemã de 1848, que fracassou. Fugiu da Alemanha e não pode ver a primeira apresentação de "Lohengrin", feita por Liszt em 1850.

De 1849 a 1852 escreveu obras impressas como "Arte e Revolução", "A Arte do Futuro", "Uma comunicação a meus amigos", e "Opera e Drama", que delineou um novo tipo de teatro musical.

Dirigiu concertos da Filarmônica de Londres em 1855 e viveu em Zurique até 1858. Wagner acreditava na criação de uma música nacional que, baseada nos mitos de origem do povo alemão e na criação da identidade coletiva, fosse capaz de educar e formar um novo homem, uma nova sociedade. Abertamente anti-semita, denunciou a "judaização" da arte moderna, conclamando por uma "guerra de libertação". Talvez por isso tenha sido o compositor preferido de Hitler.

Influenciado pela filosofia de Schopenhauer, escreveu "Tristão e Isolda"(1857-59), inspirado no seu perdido amor por Mathilde Wesendonk, que causou sua separação de sua esposa Minna. Devido a esse caso amoroso, trocou Zurique por Veneza.

Em 1859 foi a Paris, e, em 1861, anistiado, retornou à Alemanha e depois viajou para Viena, onde desenvolveu seu trabalho como compositor até 1864, quando teve de fugir para não ser preso, devido a débitos financeiros.

Chegou sem dinheiro em Stuttgart e quem o ajudou foi Ludwig 2o, o jovem rei da Bavária, seu grande admirador, que o chamou para viver em Munique. Wagner estava com 51 anos e pelos seis anos seguintes apresentou, com sucesso, suas óperas na capital da Bavária. Porém, novamente ficou endividado, além de tentar imiscuir-se na política do reino e de se tornar amante de uma filha casada de Liszt, que lhe deu três filhos, mesmo antes de se divorciar e casar-se com ele em 1870. O rei decidiu alojá-lo em Triebschen, no lago de Lucerna.

Em 1869 Wagner retomou o projeto da tetralogia "O anel dos Nibelungos". Convencido de que precisaria de um teatro especial para apresentar aquela obra, Wagner concebeu o Teatro Bayreuth, na Bavária, com o apoio do rei. O teatro foi inaugurado em 1876, com a apresentação do "O anel dos Nibelungos".


  

Wagner permaneceu em Bayreuth, salvo viagens para concertos em Londres e na Itália. Durante esses anos ele compôs seu último trabalho, o drama "Parsifal", iniciado em 1877 e apresentado em 1882. Ditou para a esposa sua autobiografia e morreu em Veneza.

Dom Pedro 2o desejava muito que Carlos Gomes fosse estudar música na Alemanha. O imperador brasileiro era grande admirador da obra de Wagner, colaborando, inclusive, com a construção do Teatro Bayreuth. No entanto, Gomes preferiu a Itália, terra de Verdi.



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sábado, 22 de fevereiro de 2014

CARLOS GOMES - BIOGRAFIA

                                           

                                                            
Carlos Gomes

Uma trajetória notável

Nascido em Campinas, interior de São Paulo, Antônio Carlos Gomes (1836-1896) teve o mérito de nascer pobre numa cidade pouco importante (imaginem Campinas em 1836) de um país atrasado e de fazer sucesso num dos mais importantes teatros de ópera do mundo, o Teatro alla Scala de Milão. 
Equivaleria, nos dias de hoje, a um cineasta nascido de família pobre no interior de Goiás ir para Los Angeles e em sete anos ganhar um Oscar. Só isto já faria dele um verdadeiro herói nacional. 
Se pensarmos que este sucesso retumbante que aconteceu na estreia da ópera Il Guarany na noite de 19 de março de 1870, aconteceu a um músico de apenas 34 anos de idade, vemos que as injustiças ao primeiro compositor brasileiro a adquirir renome internacional foram terríveis. Começaram ainda no século XIX e se estendem até os dias de hoje.



Primeira grande injustiça: os republicanos

Carlos Gomes foi estudar na Europa com apoio pessoal do Imperador Dom Pedro II. Além de uma ajuda financeira o Imperador, extremamente culto e bem relacionado com o meio cultural europeu, abriu caminho para o jovem músico não só através de meios financeiros mas por meio de cartas de recomendação. 
A estreia brasileira de sua ópera mais conhecida, Il Guarany, no mesmo ano da estreia europeia, foi um grande êxito para o império brasileiro, e sua ópera Lo Schiavo (O escravo) foi dedicada à princesa Isabel em 1887, pouco antes de ela ter assinado a Lei Áurea. 
Quando a república foi proclamada em 1889 a situação de Carlos Gomes ficou bem incômoda frente aos novos governantes. Esta guinada política coincide com o início da doença que iria lhe tirar a vida. 
Os militares republicanos recusaram oferecer a ele a direção do Conservatório de Música do Rio de Janeiro, sendo que sua única opção foi aceitar um cargo em Belém do Pará, cargo este que nem chegou a ocupar formalmente, visto que a doença o matou logo depois de sua chegada ao Pará em 1896. 
A maneira sórdida como os sórdidos implantadores da república o tratou foi a primeira grande injustiça que sofreu, ainda em vida, nosso maior compositor do romantismo musical.


Segunda grande injustiça: os modernistas

No magnífico livro “Carlos Gomes – Um tema em questão: a ótica modernista e a visão de Mário de Andrade” do maestro Lutero Rodrigues (Editora Unesp) podemos tomar contato com a maneira que os artistas paulistas viam a obra de Carlos Gomes. 
Pouco antes de acontecer a “Semana de Arte Moderna” de 1922 Oswald de Andrade publicou um longo texto com as seguintes ofensas ao compositor: “Carlos Gomes é horrível.(…)De êxito em êxito, o nosso homem conseguiu difamar profundamente o seu país, fazendo-o conhecido através dos Peris de maiô cor de cuia e vistoso espanador na cabeça, a berrar forças indômitas em cenários terríveis”. Cito apenas uma pequena parte do que Oswald de Andrade escreveu a respeito. Ele chama a arte de Gomes de “inexpressiva, postiça, nefanda…”, e estas opiniões abalaram de forma decisiva o prestígio do compositor. 
Em 1936, o centenário do nascimento do músico foi comemorado como uma espécie de resgate do “Estado novo”. As punhaladas que Mario e Oswald de Andrade deram no compositor foram minimizadas. Numa época em que as óperas de Carlos Gomes eram montadas com frequência, tanto no Brasil como no exterior, fizeram destes raivosos comentários uma coisa vista como meras excentricidades.

Terceira grande injustiça: o esquecimento
 nos dias de hoje

Se os republicanos decretaram o ostracismo de Carlos Gomes, se os Modernistas o chamaram de vergonha nacional, o meio musical brasileiro dos dias de hoje comete uma injustiça tão grande como as duas já citadas. 
A obra de Carlos Gomes é raramente executada. Exemplo disso é nossa melhor orquestra, a OSESP, que simplesmente ignora o grande compositor. Na recente excursão europeia a orquestra, que brilhou executando a Primeira Sinfonia de Mahler, executou como abertura em diversos concertos um arremedo sem graça em cima do hino nacional composto por uma autora mais ligada à música popular.
 Por que não abrir o concerto com páginas sinfônicas de grande beleza e efeito do compositor campineiro como a “Alvorada” da ópera Lo Schiavo, ou a abertura de Il Guarany? O famoso maestro italiano Giusepe Sinoppoli (1946-2001), por exemplo, costumava abrir alguns concertos na Alemanha com as aberturas das óperas “Fosca” e “Il Guarany”, coisa raramente feita aqui. 


As partes orquestrais das óperas menos conhecidas do compositor (Maria Tudor, Condor) estão se desfazendo, e em breve não será mais possível executá-las. 
Nas décadas de 50,60, 70 e 80 o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o de São Paulo executavam com frequência as óperas do mestre, e artistas internacionais como o tenor Mario del Monaco e o soprano Antonieta Stella mantinham Il Guarany e Lo Schiavo em seus repertórios. Isto tudo virou passado. 
Em São Paulo havia um maestro que defendia com unhas e dentes a obra de nosso conterrâneo: Armando Belardi. A convicção com a qual ele dirigia as obras de Carlos Gomes não sai de minha memória. 
O famoso tenor espanhol Plácido Domingo se interessou pela obra mais conhecida do compositor, Il Guarany, mas mesmo com ele cantando exemplarmente a gravação que ele realizou não decolou pela falta de comprometimento da equipe. 
Se a obra se chama “ópera ballo” por que cargas d’água cortaram o ballet, uma das páginas mais interessantes da obra? Aliás, mesmo com condições técnicas inferiores é bem preferível a gravação feita em 1959 em São Paulo com a impecável e comprometida regência de Armando Belardi e com a participação da eterna Niza de Castro Tank. 
Aliás, vale a pena ressaltar que junto ao Theatro Municipal de São Paulo há um belíssimo monumento homenageando o compositor, mas este mesmo teatro não monta uma obra de Carlos Gomes há décadas. 
O Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que já montou obras importantes do autor, encontra-se de tal forma sucateado que também não monta nada do compositor há muito tempo.
  


Fatos e versões

Algo bem prejudicial a Carlos Gomes é compara-lo a Giuseppe Verdi. Sem dúvida o compositor italiano possuía um tipo de genialidade que o brasileiro não tinha. Mas se o Brasil fosse um país que tomasse mais a sério a sua produção cultural poderíamos perceber, e defender, que Carlos Gomes não fica nada a dever a compositores da mesma época como Amilcare Ponchielli (1834 –1886), autor da famosa ópera “La Gioconda”. 
Muitas pessoas criticam que o índio Peri canta em italiano, mas estas mesmas pessoas esquecem que isso era uma convenção da época. Poderíamos criticar então que os espanhóis em “Le nozze di Figaro” de Mozart cantaram em italiano para um público austríaco, mas isto também seria um completo absurdo. 
A obra de Carlos Gomes tem um valor indiscutível, e conhece-la é de uma enorme importância para nós brasileiros. 
A bibliografia sobre o compositor é dificilmente encontrada e nem sempre de alto nível. Lamento, por exemplo, o desaparecimento total do livro “Uma força indômita” do musicólogo Marcus Góes, editado pela Secretaria de Cultura do Pará, o mais bem documentado estudo sobre o compositor. Ele aparece à venda no Mercado Livre por R$ 250,00, como uma raridade!!! 
Não posso deixar de registrar aqui os grandes defensores da obra do compositor. Perdão pelos esquecidos. Inicialmente o soprano Niza de Castro Tank, grande artista, que fez um trabalho de resgate da obra de seu quase conterrâneo (ela nasceu em Limeira) e que sempre cantou a música de Carlos Gomes com uma fé inquebrantável. Em outubro de 1992 tive um dos maiores privilégios de minha vida quando executei com ela em Brasília o Oratório “Colombo”. Já falei da arte do maestro Armando Belardi, mas destaco também a fé e energia do maestro Eleazar de Carvalho. Quem o viu regendo Lo Schiavo sabe o que quero dizer com “fé inquebrantável”. Dois barítonos não me saem da mente: Fernando Teixeira e Rio Novello. Eles também me fizeram acreditar na genialidade do compositor. 
Com tanto desprezo e esquecimento creio que Carlos Gomes será, em pouco tempo, lembrado apenas como nome de rua e de praça, e será tido para muitos como um político…
Artigo do maestro Osvaldo Colarusso

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

GIOVANNI BATTISTA CASTAGNETO - BIOGRAFIA

                              

Giovanni Battista Felice Castagneto (Gênova, Itália 1851 - Rio de Janeiro RJ 1900)

Pintor, desenhista, professor.

Exerce a profissão de marinheiro em Gênova. Acompanhado de seu pai, vem para o Rio de Janeiro em 1874. Em 1878, matricula-se nos cursos de desenho figurado, desenho geométrico e matemática na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, onde estuda até 1884, tendo como professores Zeferino da Costa (1840 - 1915) e Victor Meirelles (1832 - 1903), entre outros. De 1882 a 1884 é orientado porGeorg Grimm (1846 - 1887) e, quando este rompe com a Academia, acompanha-o na instalação do seu ateliê ao ar livre na Praia de Boa Viagem, em Niterói, e integra o Grupo Grimm. Leciona desenho no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e no Liceu de Niterói. Expõe individualmente pela primeira vez no Rio de Janeiro, na Casa Vieitas, em 1886. Viaja para a França em 1890, onde conhece o pintor Frédéric Montenard (1849 - 1926), que o aconselha a estudar com o marinhista François Nardi (1861 - 1936). Volta ao Brasil em 1893 e, no ano seguinte, inaugura exposição individual na Escola Nacional de Belas Artes - Enba com obras produzidas em Toulon, França. Considerado um importante pintor de marinhas e paisagens litorâneas, o artista continua aperfeiçoando-se nesta temática até a maturidade de sua produção, alcançada com as experiências no litoral da França. As marinhas produzidas nos últimos dez anos de vida revelam o completo domínio técnico sugerido pelas composições equilibradas, pela depuração cromática e pelo tratamento pessoal conferido à superfície pictórica. 


Comentário Crítico

Giovanni Battista Castagneto nasce em Gênova e vai para o Rio de Janeiro em 1874. Ingressa na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, em 1878, onde estuda, entre outras disciplinas, paisagem com Georg Grimm (1846 - 1887), entre 1882 e 1884, ano em que Grimm deixa a Aiba. Desde o início volta-se para a representação da natureza, em especial a pintura de marinhas. Seus primeiros trabalhos já revelam as características essenciais de sua produção: as pinceladas livres, o forte gestualismo e tendência ao monocromatismo, como vemos, por exemplo, em Trapiche na Baía do Rio de Janeiro (1883).
Em 1884, acompanha Grimm quando ele rompe com a Aiba e cria um ateliê ao ar livre, na Praia de Boa Viagem em Niterói. A admiração pela obra de Georg Grimm está na percepção da paisagem, escolha de motivos, sintetização dos elementos e restrição da paleta, como no quadro Porto do Rio de Janeiro (1884). Castagneto tem uma atividade intensa na pintura, caracterizada pela elaboração de diversas séries de obras, que permitem avaliar o estudo que o artista faz da natureza e das mutações da atmosfera marinha. Desloca-se com freqüência para Niterói, onde os alunos de Grimm se reúnem, fixando aspectos do litoral. Representa muitas vezes a praia de Santa Luzia: os efeitos da luz no mar e as reformas da igreja. Realiza uma série de marinhas de Angra dos Reis, de pincelada larga e agressiva, pintadas do natural, em que predominam os verdes e o cinzas.

O artista revela uma sensibiblidade romântica, por meio da qual interpreta a natureza. Assim, suas representações do mar ou dos botes a seco, são carregadas de sentimento. O tratamento pictórico é impulsivo e quase violento, percebe-se a pincelada cortante e o empastamento farto. Representa embarcações de pesca, simples canoas, que adquirem dignidade e imponência, como em Canoa a Seco na Praia em Angra dos Reis (1886).

Em 1887, pinta o quadro Uma Salva de Grande Gala na Baía do Rio de Janeiro, concebido nos modelos da Academia, para concorrer ao prêmio de viagem. A recusa do quadro pela Aiba e as críticas publicadas nos jornais, causaram profunda amargura no artista, cuja produção, nos anos seguintes, torna-se irregular. Viaja para a França em 1890, com o auxílio de amigos. Lá tem contato com Frédéric Montenard (1849 - 1926), pintor francês viajante, que possui especial afeição por temas marinhos. Por intermédio dele conhece o francês François Nardi (1861 - 1936), também pintor de marinhas, com quem reside por um tempo em Toulon. Concentra-se nas cenas de pesca e no estudo da atmosfera marinha. Seus temas são os botes a vela, muito coloridos, que ocupam enseadas próximas à cidade, como em Barco de Pesca Ancorado em Toulon (1892) ou os efeitos de luz na água, como em Vista de Mourillon (1892).
 

Durante a estada em Toulon a paleta de Castagneto se diversifica, trabalha as cores com mais liberdade e o desenho se estrutura. Em relação à produção anterior, o período francês representa certo enfraquecimento da potência romântica, pela adaptação aos cânones e busca de maior controle dos valores pictóricos.
De volta ao Brasil, seu fazer artístico consolida-se. Observa-se em suas obras o retorno à gestualidade no manejo dos pincéis, as cores tornam-se mais sutis e muito suaves, em relação às paisagens pintadas em Toulon. O desenho rigoroso, que marca os contornos das formas, se desestrutura, como pode ser visto em Trecho da Praia de São Roque em Paquetá (ca.1898). Predominam em seus quadros as cores claras, tons límpidos e transparentes, o uso de azuis-cinza, nuances de amarelo e verde-água. Destacam-se a fatura original dos trabalhos e o tratamento personalíssimo da superfície pictórica: os empastamentos muitas vezes são trabalhados com a espátula, em certos pontos, até com o polegar. 

A paisagem da ilha de Paquetá torna-se, desde 1896, o ambiente preferencial de suas pinturas.
Castagneto é descrito por seus contemporâneos como um homem à margem da sociedade, boêmio, inconformado com as convenções. O crítico Gonzaga Duque (1863 - 1911), descreve o pintor como manso e  irascível, afirmando que "Como o mar o seu temperamento é rebelde" e "Como artista ele sente, por uma maneira originalíssima, maneira de que só ele possui o segredo, todo os enlevos, toda a poesia das vagas".1  Sua pintura apresenta suavidade e violência, alia a execução rápida e angustiada a um grande lirismo.
Notas
1 DUQUE, Gonzaga. A arte brasileira. Campinas: Mercado de Letras, 1995, p. 198.

Críticas

"Despreocupado com o desenho, como os impressionistas franceses, o pintor preocupa-se em captar a luz através da pintura, fixar o fugidio, com uma preferência temática: a luz sobre a água, à beira-mar, quase sempre. Nesta obra, as formas se desfazem através da bruma-luz à distância, e, em primeiro plano, os diversos elementos são compostos como manchas de cor, que ele aplica sobre a superfície da tela. Em geral seus quadros são de pequenas dimensões e dão a impressão, vistos de perto, de serem manchados com a cor, ora aplicada sobre a tela obedecendo a um certo ritmo, ora apresentando uma grafia desordenada e mesmo nervosa, denunciando uma execução rápida. (...) Talvez por influência do fascínio pelo mar, seu ateliê era um barco que se deslocava na Baía de Guanabara, que ele fixou em vários de seus aspectos".
Equipe da Pinacoteca do Estado
PINACOTECA do Estado de São Paulo. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

"Foi em tarefa na qual muitos vagaram no marasmo da mesmice que Castagneto avultou e revelou o máximo do seu poder criador, o pleno domínio da técnica. Mas, para tanto alcançar, serviu-se de larga e funda experiência de vida, conhecedor que era do mar, em seu conjunto e suas nuanças. Entretanto, Castagneto não deixa de construir uma unidade conflituosa entre o mar e o homem e daí a variedade de cenários com os quais travamos conhecimento, à medida que repontam as ocorrências de seu cotidiano. E é nesse sentido que vamos encontrar toda uma extraordinária riqueza espiritual, sempre presente nas diversas obras que compõem o conjunto de sua produção".
Alcídio Mafra de Souza

LEVY, Carlos Roberto Maciel. Giovanni Battista Castagneto:1851-1900: o pintor do mar. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.
"Ao longo de 1896 consolidam-se os elementos que projetariam de modo progressivo e radical a vida e a obra de Giovanni Battista Castagneto em direção a um processo estrutural de simplificação. No plano da existência, até então, sua vida fora uma persistente sucessão de lutas caracterizadas pelo inconformismo e pelo temperamento libertário (...). Foi ele um homem à margem da sociedade, insatisfeito com os protocolos que ela exigia e revoltado contra as convenções que impunha. Mas, antes que pudesse, em seu universo intelectual ingênuo e inculto, estabelecer os paradigmas contra os quais desejaria se opor e combater, viu-se adulado, querido e 'compreendido' pelas camadas dominantes dessa sociedade, que sobre ele projetaram, discretamente, os seus próprios anseios de independência. (...) Findara o século XIX e abria-se, com o século XX, uma era de progresso, revoluções e transformações radicais no comportamento, nas idéias e nas possibilidades da humanidade. Castagneto morreu com o único período que, na história, poderia comportar sua arte romântica e aberta; mais cedo, teria sido podada como manifestação de loucura; mais tarde, interpretada como um simplismo piegas e reacionário (...)".
Carlos Roberto Maciel Levy
LEVY, Carlos Roberto Maciel. Giovanni Battista Castagneto:1851-1900: o pintor do mar. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.

"Castagneto (João Batista) é original. Filho de um lobo-do-mar, de um velho nauta embalado pelas vagas do Mediterrâneo e do Iônio, João Batista Castagneto nasceu artista e nasceu marinheiro. Herdou de seu pai o amor pela misteriosa inconstância do mar, recebeu da sua querida Itália o bafo quente da impressionalidade artística. Como o mar o seu temperamento é rebelde. Ama e odeia.  É manso e é irascível. Um dia pensou que o estudo acadêmico, em vez de fazê-lo progredir, vinha impedir-lhe os passos; e rasgou, de um momento para outro, os motivos que o prendiam à Academia. Como artista ele sente, por uma maneira originalíssima, maneira de que só ele possui o segredo, todos os enlevos, toda a poesia das vagas. A voz tormentosa das águas, o doudo soluçar das ondas, as ciclópicas lutas do oceano vibram dentro dele estranhas cordas sonoras de um sentimentalismo que a mais ninguém a natureza deu. E, como o mar, a sua pintura é forte e é doce, é rápida e é vagarosa, tem asperezas e tem carícias, parece transparente e parece compacta, brilha e se entenebrece. (...)
Quando lhe falta tempo para mudar pincéis,
maneja um só, mergulhando-o em diversas tintas, ou pinta com os dedos, com as unhas, com a espátula, com o primeiro objeto que tiver à mão: um seixo resistente, um pedaço de pau, um pedaço de corda, um palito, o cano do cachimbo, a ponta do cigarro.
(...) Ora, é uma marinha de uma tonalidade suave e leve, com um pequeno barco ao centro dando ao conjunto um encanto todo sereno e feliz. Ora, é o rancho da praia coberto de leprosas telhas desmanteladas pelo vento. Aqui é um assunto tomado ao cair da tarde. O sol desaparece, lentamente, do céu; nuvens caliginosas, formadas em massas largas e caprichosas, vagueiam pelo ar; o horizonte tinge-se de uma cor alaranjada, intensa, vívida; ao longe montes azulados, perdidos no silêncio do espaço, como muralhas enormes de uma cidadela invencível. No mar, ao quente reflexo dos últimos raios do sol, de velas abertas às virações repentinas, correm faluas bojudas. Ali é uma vista do arsenal de guerra, apanhada da praia de Santa Luzia. Ao fundo, além, muito além, rola o mar as vagas e vem tumultuoso, irrequieto, espojar-se à praia em um dolente e bruto espreguiçar. O sol banha a natureza. Os telhados e as paredes caiadas das oficinas do arsenal, iluminadas pela luz risonha, parecem dilatar no quadro um longo riso de força diante do mar que geme na areia".
Gonzaga Duque
[Texto originalmente publicado em: DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira: pintura e esculptura. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & C., 1888.]
DUQUE, Gonzaga. A arte brasileira. Campinas: Mercado de Letras, 1995. p. 198-200.

"A fusão entre arte e vida, todavia, ele a encontrou na pintura de marinhas. Esse gênero desfrutava de certa fortuna no Brasil: D. Pedro II amava as marinhas e os navios de guerra. Antes de Castagneto, contudo, a história da pintura de marinhas no Brasil já contava com o minucioso modelismo naval de Eduardo De Martino, presente nas coleções imperiais, e com as marinhas 'elétricas' de Émile Rouède, assim denominadas porque pintadas de pronto e não raro de memória. Estas certamente influenciaram a técnica do jovem Castagneto. Daí ele extraiu o amor pela técnica rápida e sintética e pelo suporte improvisado - cartão, fundo de caixas de charuto, pratos, palhetas e até mesmo, num caso, uma pele de bacalhau seco. Também a lembrança de De Martino está presente na única tentativa ambiciosa de uma grande marinha histórica produzida pelo pintor, Salva na Baía de Guanabara em Homenagem a Dom Pedro II, hoje no Museu de Arte de São Paulo, Masp, pintada para obter uma viagem-prêmio da Academia, em 1887.
Foi a maior decepção do artista, nada talhado para esse tipo de celebração. A pintura de Castagneto necessitava de outros temas: 'Toda a atenção do artista convergiu para a vida humilde dos pescadores, para os míseros recantos de beira-mar, onde a paisagem, se não houvesse colmo de gente da pesca, que traduzisse a poesia de sua existência obscura, pudesse lembrá-la pela proximidade da terra'.
Para Castagneto, o pintor do mar, o mar era um estado de alma e a pintura, uma forma de vida. Vivia na praia de Santa Luzia, numa casa que parecia um barco. Qualquer objeto lhe servia para fixar a lembrança de um trecho de praia ou para copiar um tema. Apoderava-se, então, do tema com o traço febril da mão e com grande economia de meios, até transfigurá-lo numa imagem simplificada e rápida, a fim de não perder a força da sensação.
Em certos pontos, percebem-se a violência do gesto, o uso de instrumentos improvisados e até mesmo do polegar, à maneira dos escultores. Os botes a seco de Castagneto ultrapassam os limites de gênero, atingido, não raro, o domínio da expressão lírica, como nos cascos-hieróglifos de De Fiori, Volpi, ou nas areias deslumbrantes de Pancetti.
Por fim, conseguiu viajar para o sul da França, onde foi estudar com um marinhista então famoso, François Nardi. Retornou ébrio de luz. Capturou-a em quadros como O Forte de Gragoatá, no MNBA, mas, confuso e doente, a morte precoce veio içá-lo para fora da ressaca".
Luciano Migliaccio
MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, São Paulo. Arte do século XIX. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000. p. 129-130.

Acervos

Acervo Instituto Itaú Cultural (São Paulo SP)
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (São Paulo SP)
Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro RJ)
Museu Nacional de Belas Artes - MNBA (Rio de Janeiro RJ)

Exposições Individuais

1886 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Casa Vieitas
1887 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Glace Elégante
1887 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Casa Vieitas
1888 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Glace Elégante
1889 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Glace Elégante
1890 - Juiz de Fora MG - Individual, na redação do jornal O Farol
1890 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no salão do jornal O Paiz
1894 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Enba
1895 - São Paulo SP - Individual, no Salão de Concertos da Paulicéia
1895 - São Paulo SP - Individual, no Banco União
1896 - Rio de Janeiro RJ - Mostra, na Papelaria Gomes
1897 - Rio de Janeiro RJ - Mostra, na Papelaria Gomes

Exposições Coletivas

1884 - Rio de Janeiro RJ - 26ª Exposição Geral de Belas Artes, na Aiba - medalha de ouro
1885 - Rio de Janeiro RJ - Loja Laurent de Wilde: mostra inaugural, na Loja de Laurent de Wilde
1885 - Rio de Janeiro RJ - Castagneto e França Júnior, na Casa Vieitas (Rio de Janeiro, RJ)
1887 - Rio de Janeiro RJ - Antônio Parreiras, Castagento e Henrique Bernardelli, no Grêmio de Letras e Artes
1890 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1894 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1895 - Rio de Janeiro RJ - 2ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba
1898 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Arte Retrospectiva, no Centro Artístico

Exposições Póstumas

1948 - Rio de Janeiro RJ - Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA
1950 - Rio de Janeiro RJ - Um Século de Pintura Brasileira: 1850-1950, no MNBA
1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados
1961 - Rio de Janeiro RJ - O Rio na Pintura Brasileira, na Biblioteca Estadual da Guanabara
1963 - Assunção (Paraguai) - La Pintura en el Brasil
1970 - São Paulo SP - Pinacoteca do Estado de São Paulo 1970, na Pinacoteca do Estado
1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana
1977 - Rio de Janeiro RJ - Aspectos da Paisagem Brasileira: 1816-1916, no MNBA
1978 - São Paulo SP ? Individual, na Sociarte
1980 - Buenos Aires (Argentina) - Ochenta Años de Arte Brasileño, no Banco Itaú
1980 - Rio de Janeiro RJ - O Grupo Grimm: paisagismo brasileiro no século XIX, na Acervo Galeria de Arte
1980 - São Paulo SP - A Paisagem Brasileira: 1650-1976, no Paço das Artes
1982 - Bauru SP - 80 Anos de Arte Brasileira
1982 - Marília SP - 80 Anos de Arte Brasileira
1982 - Rio de Janeiro RJ - Giovanni Battista Castagneto 1851-1900: o pintor do mar, na Acervo Galeria de Arte
1982 - Rio de Janeiro RJ - Pintores Fluminenses, no MAM/RJ
1982 - São Paulo SP - 80 Anos de Arte Brasileira, no MAB/Faap
1982 - São Paulo, SP - Pintores Italianos no Brasil, no MAM/SP
1983 - Belo Horizonte MG - 80 Anos de Arte Brasileira, na Fundação Clóvis Salgado. Palácio das Artes
1983 - Campinas SP - 80 Anos de Arte Brasileira, no MACC
1983 - Curitiba PR - 80 Anos de Arte Brasileira, no MAC/PR
1983 - Ribeirão Preto SP - 80 Anos de Arte Brasileira
1983 - Santo André SP - 80 Anos de Arte Brasileira, na Prefeitura Municipal de Santo André
1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 - São Paulo SP - 100 Obras Itaú, no Masp
1986 - São Paulo SP - Dezenovevinte: uma virada no século, na Pinacoteca do Estado
1987 - São Paulo SP - O Brasil Pintado por Mestres Nacionais e Estrangeiros: séculos XVIII - XX, no Masp
1988 - São Paulo SP - Brasiliana: o homem e a terra, na Pinacoteca do Estado
1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor
1989 - Rio de Janeiro RJ - O Rio de Janeiro de Machado de Assis,, no CCBB
1989 - São Paulo SP - Pintura Brasil Século XIX e XX: obras do acervo Banco Itaú, na Itaugaleria
1992 - Rio de Janeiro RJ - Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB
1993 - Rio de Janeiro RJ - Brasil, 100 Anos de Arte Moderna, no MNBA
1993 - Santos SP - Seis Grandes Pintores, na Pinacoteca Benedito Calixto
1994 - Rio de Janeiro RJ - Iconografia da Paisagem
1994 - São Paulo SP - Um Olhar Crítico sobre o Acervo do Século XIX, na Pinacoteca do Estado
1995 - Campinas SP - Da Marinha à Natureza Morta
1997 - Rio de Janeiro RJ - Giovanni Battista Castagneto: 1851-1900, na Pinakotheke
1998 - Rio de Janeiro RJ - Marinhas em Grandes Coleções Paulistas, no Espaço Cultural da Marinha
2000 - Porto Alegre RS - De Frans Post a Eliseu Visconti: acervo Museu Nacional de Belas Artes - RJ, no Margs
2000 - São Paulo SP - 51º Salão Paulista de Belas Artes, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo - homenageado
2000 - São Paulo SP - Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal
2001 - São Paulo SP - 30 Mestres da Pintura no Brasil, no Masp
2001 - São Paulo SP - Coleção Aldo Franco, na Pinacoteca do Estado
2001 - São Paulo SP - Museu de Arte Brasileira: 40 anos, no MAB/Faap
2001 - São Paulo SP - Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural
2002 - Brasília DF - Barão do Rio Branco: sua obra e seu tempo, no Ministério das Relações Exteriores. Palácio do Itamaraty
2002 - Niterói RJ - Arte Brasileira sobre Papel: séculos XIX e XX, no Solar do Jambeiro
2002 - Rio de Janeiro RJ - Arte Brasileira na Coleção Fadel: da inquietação do moderno à autonomia da linguagem, no CCBB
2002 - São Paulo SP - Arte Brasileira na Coleção Fadel: da inquietação do moderno à autonomia da linguagem, no CCBB
2002 - São Paulo SP - Imagem e Identidade: um olhar sobre a história na coleção do Museu de Belas Artes, no Instituto Cultural Banco Santos
2003 - Brasília DF - Arte Brasileira na Coleção Fadel: da inquietação do moderno à autonomia da linguagem, no CCBB
Fonte: Itaú Cultural

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

CALDERON DE LA BARCA - BIOGRAFIA

                             
                                              CALDERON DE LA BARCA

(Madrid, 1600-id., 1681) dramaturgo espanhol.Educado num colégio jesuíta em Madrid, estudou nas universidades de Alcalá e Salamanca. Em 1620 ele deixou os estudos religiosos e três anos mais tarde, tornou-se conhecido como dramaturgo com a sua primeira comédia, amor, honra e poder. Como todo jovem, ele instruiu o seu tempo, ele viajou na Itália e Flandres, e desde 1625, o tribunal forneceu um extenso repertório dramático entre afirmando suas melhores obras. Depois de angariar prestígio sólida no Palácio Real, em 1635, ele escreveu O maior encanto, amor, para a inauguração do Palace Theatre del Buen Retiro.

Nomeado Cavaleiro da Ordem de Santiago pelo rei, foi distinguido como um soldado no cerco de Hondarribia (1638) e Guerra da Catalunha (1640).Ordenado em 1561, logo depois que ele foi nomeado capelão de Novos Reis de Toledo. Até então era o dramaturgo mais bem sucedido do tribunal. Em 1663, o rei nomeou-o capelão de honra, então ele mudou-se permanentemente para Madrid.
De acordo com a contagem que ele fez o ano de sua morte, sua produção tem oitenta cento e dez comédias e mistério desempenha, de louvor, lanches e outras obras menores. Como todos os seus contemporâneos, Calderón não podia, mas a partir das diretrizes estabelecidas pela dramáticas Lope de Vega. Mas o seu trabalho, e totalmente barroco, talvez maior alcance e perfeição técnica formal do que Lope. Mais sóbrio Calderón põe em jogo menos caracteres e gira em torno do protagonista, para que o trabalho tem um centro claro da gravidade, de um eixo em torno do qual todas as crianças, reforçando a intensidade dramático.
A. Valbuena notou que seu estilo pode ser distinguido em dois registros. O primeiro é para reorganizar e condensar o que Lope aparece difuso e caótico de moda e styling observa seu realismo maneiras. Assim canções originais Lope reformulado várias de suas obras-primas.

Eles apresentaram uma rica galeria de personagens representativos do seu tempo e do seu estatuto social, que têm em comum um século tema: honrar a herança do soul enfrentou justiça dos homens, se o prefeito Zalamea ou paixões amorosas que cegam a alma, a questão abordada em maior monstro, o ciúmeou o médico de sua honra.


Mas não é isso, é claro, a principal razão para a sua obra. Em seu segundo registro, o dramaturgo inventa além do repertório de cavalaria, a forma poético-simbólico desconhecido antes dele e definir um teatro essencialmente lírico, cujos personagens são elevados ao simbólico e espiritual. Calderón é particularmente notável como o criador dessas personagens barrocas intimamente desequilibrados por uma paixão trágica, aparecendo em O prodigioso mágico ou Devoção da Cruz. Seu caráter universal é rasgado Sigismund da Vida é um Sonho, considerado o ápice Calderonian teatro.
Este trabalho, paradigma de gênero das comédias filosóficas, coleta e dramatiza as questões mais importantes de sua época: o poder da vontade contra o destino, o ceticismo aparências sensíveis, a precariedade da existência, visto como um sonho simples e finalmente, a idéia reconfortante de que mesmo em sonhos, você ainda pode fazer o bem.
Com ele e adquiriu a mesma relevância especial cenário-o que ele chamou de "modos de olhar" - e música. A carpintaria teatral tornou-se um elemento-chave na composição de suas obras eo conceito de cena foi reavaliado de uma maneira geral, em linha com o teatro barroco. Quanto à sua língua, pode ser considerado o ponto culminante da culteranismo teatral. Sua riqueza expressiva e metáforas complexas vêm de uma certa conceitos intelectuais, de acordo com o próprio temperamento ninhada de seus personagens de ficção.

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ARTUR AZEVEDO - BIOGRAFIA

                                                    
                                                   ARTUR AZEVEDO
Contista, teatrólogo, poeta e jornalista, Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 7 de julho de 1855, filho de David Gonçalves de Azevedo, vice-cônsul de Portugal em São Luís, e Emília Amália Pinto de Magalhães.

Desde criança, demonstrou aptidão para o teatro, brincando com adaptações de textos e escrevendo peças que ele mesmo representava. 

Escreveu sua primeira peça, Amor por Anexins, em 1872, obtendo grande sucesso de público. Lançou também diversas comédias que foram encenadas nos teatros de São Luís. 

Trabalhou no comércio e na administração provincial, de onde foi demitido por ter publicado sátiras contra autoridades do governo. Após sua demissão, submeteu-se a um concurso para amanuense da Fazenda, conseguindo a classificação e transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde obteve um emprego no Ministério da Agricultura, em 1873.

Exerceu também, no Rio, o cargo de professor de português no Colégio Pinheiro. Porém foi no jornalismo, que fez sua carreira de contista e teatrólogo.

Trabalhou em diversos jornais cariocas, entre os quais, O PaísCorreio da Manhã,Diário de NotíciasO SéculoA Notícia, onde escreveu crítica teatral (folhetim O Teatro), além de criar publicações literárias, como as revistas O DomingoRevista dos TeatrosA GazetinhaVida Moderna e O Álbum. Foi colaborador d’ A Estação, ao lado de Machado de Assis, dos jornais O Mequetrefe e Novidades.

Escreveu milhares de artigos, principalmente sobre teatro, utilizando vários pseudônimos, entre os quais, Elói o Herói, Gavroche, Petrônio, Cosimo, Juvenal, Dorante, Frivolino, Batista o Trocista.

Era um abolicionista ferrenho, defendendo a abolição da escravatura em artigos de jornal e peças de teatro, como O Liberato e A família Salazar. Esta  última, em parceria com Urbano Duarte, foi proibida pela censura do Império, sendo posteriormente publicada com o título de O escravocrata

Dirigiu a Revista do Teatro, com Lopes Cardoso, e foi um dos grandes responsáveis pela criação do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, cuja inauguração, em 14 de julho de 1909, não conseguiu presenciar, tendo falecido no ano anterior.
Contemporâneo de Olavo Bilac e Coelho Neto, foi, ao lado do irmão Aluísio de Azevedo, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, criando a cadeira nº 29, cujo patrono é Martins Pena.

No início das suas atividades teatrais, traduziu e adaptou comédias francesas. Atento observador dos hábitos da então capital da República, tanto no conto quanto no teatro, escreveu sobre o cotidiano carioca, retratando relações conjugais, familiares, cerimônias festivas e fúnebres, acontecimentos das ruas e das casas, narrando e comentando de forma maliciosa e irônica a vida do Rio de Janeiro na época. Sua obra retrata os costumes da sociedade brasileira no final do Império e início da República.

É autor de comédias, operetas e burletas (farsa jocosa, geralmente musical), que dominaram o cenário teatral brasileiro no final do século XIX. São cerca de cem peças de vários gêneros, encenadas em palcos brasileiros e portugueses. Ainda hoje, peças como A jóiaA capital federalO mambembe continuam sendo apresentadas em diversos palcos. 

Arthur Azevedo também se dedicou à poesia, sendo um dos representantes do parnasianismo, ao conto e ao teatro de revista, sendo considerado um dos maiores teatrólogos nesse gênero. 

Da sua obra, podem ser destacadas, por gênero:


TEATRO: 

Amor por anexins (1872); A filha de Maria Angu (1876); Uma véspera de Reis (1876);Jóia (1879); O Mandarim (em colaboração com Moreira Sampaio, reunião de O Liberato e A famíia Salazar, 1884); Cocota (1885, em parceira com Moreira Sampaio);O Bilontra (escrita com Moreira Sampaio, 1886); Mercúrio (1886); O Carioca (em colaboração com Moreira Sampaio, 1887); O Barão de Pitaçu (opereta, 1887); O Homem (em parceria com Moreira Sampaio, 1887); A almanjarra (1888); Fritzmac eDona Sebastiana (ambas em parceria com Aluísio de Azevedo, 1888 e 1889, respectivamente); A República (em parceira com o Aluísio de Azevedo, 1890); Viagem ao Parnaso (1890); O Tribofe (1892); O Major (1894); A Fantasia (1895); Capital Federal (1897); O Jagunço (1898); Gavroche (1898); Comeu! (1901); O retrato a óleo(1902); O mambembe (1904); Guanabara (com Gastão Bousquet, 1905); O dote (1907); O ano que passa (1907); O oráculo (1956) e Teatro (1983), ambas póstumas.

CONTOS E POESIA:

Carapuças (poesia, 1871); Sonetos (1876); O Rio de Janeiro (com Lino d'Assumpção, 1877); Um dia de finados (sátira, 1877); Tal qual como lá (com França Júnior, 1879);Contos possíveis (1889); Contos fora da moda (1894); Contos efêmeros (1897);Contos em verso (1898); Rimas (poesia, 1909); Contos cariocas (1928); Vida Alheia(1929); Histórias brejeiras (1962); Contos (1973).
Arthur Azevedo morreu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 22 de outubro de 1908

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