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sábado, 28 de março de 2015

JÚLIO DANTAS - BIOGRAFIA

                    

                                                       Júlio Dantas


Júlio Dantas nasceu em Lagos, em 1876. Formou-se em Medicina, mas também se dedicou à literatura, diplomacia e ao jornalismo.
Dentre suas peças, pode-se destacar “A Ceia dos Cardeais”, que foi traduzida para mais de 20 línguas, “A Severa”, “Um Serão nas Laranjeiras”, “Santa Inquisição”, “Frei António das Chagas” e “Os Crucificados”, conhecida por abordar pela primeira vez no teatro português um caso de homossexualidade.
Além das obras para o teatro, Júlio também escreveu livros, como ”Pátria Portuguesa”, “O Amor em Portugal no Século XVIII” e “Marcha Triunfal”. Escritas em um estilo rebuscado, pomposo, que rendeu ao autor algumas críticas, sendo chamado, inclusive, de retrógrado. Porém, se consolidou como um dos escritores portugueses que melhor manejou a língua portuguesa.
                     
Júlio foi Embaixador no Brasil, em 1949. No mesmo ano, lhe foi atribuído o título de Doutor “Honoris Causa” pela Universidade do Brasil. O mesmo título lhe foi atribuído também pela Universidade de Coimbra, em 1954.
Como jornalista, Júlio Dantas colaborou no Correio da Manhã, do Brasil e La Nación, da Argentina. Além disso, foi Presidente da Academia das Ciências de Lisboa, de 1922 até a sua morte, em 1962.
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quarta-feira, 25 de março de 2015

MOZART - BIOGRAFIA

                      
Wolfgang Amadeus Mozart, (1756-1791) foi músico e compositor austríaco, considerado um dos maiores nomes da música erudita e um dos compositores mais importantes da história da música clássica.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) nasceu em Salzburg, na Áustria, no dia 27de janeiro de 1756. 

Filho do músico Leopold Mozart e Anna Maria Perti, desde pequeno já demonstrava genialidade para a música. 

Com o estímulo e acompanhamento do pai, com apenas três anos de idade, já tocava piano e cravo, e aos cinco já compunha algumas peças musicais. 

Nessa época fez sua primeira aparição em uma récita de obras de Johann Eberlin, na Universidade de Salzburgo.
Em 1762, Junto com sua família, Mozart iniciou suas viagens pela Europa, onde se apresentou para muitas cortes europeias. 

Foi a Munique e Viena. Entre 1763 e 1766, se apresentou em vários centros musicais importantes da França, Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e Suíça. Tocava também nos órgãos das igrejas onde passava a noite. 

Em Versalhes, se apresentou diante de Luís XV. Em Paris, seu pai publicou as primeiras obras escritas por Mozart, dois pares de sonatas para cravo e violino. 

Em Londres Mozart conheceu Bach, com que iniciou longa amizade. Em Haia, Wolfgang Amadeu Mozart caiu doente, passou dois meses para se recuperar de uma febre tifoide. A viagem foi lucrativa financeiramente, além de receber preciosos presentes, como relógios e anéis de ouro.

De volta a Salzburgo, dedicou-se aos estudos. Escreveu suas primeiras obras vocais para o palco, entre eles a comédia “Apollo et Hyacinthus”. 

Em 1767 a família iniciou uma nova viagem. Em Viena, Mozart é acometido de varíola, que lhe deixa marcas no rosto. Em janeiro de 1769 a família retorna para sua cidade natal. 

Nessa época escreve várias peças sacras e serenatas orquestrais. Em dezembro, junto com o pai, segue para a Itália. Esteve em Verona, Milão e Bolonha, onde foi testado pela filarmônica local e admitido como membro. 

Em Roma, foi recebido pelo Papa, que lhe concedeu a Ordem da Espora de Ouro, no grau de cavaleiro. A viagem só terminou em 1771.

Em Julho de 1772, com 16 anos, Mozart foi admitido como músico na corte de Salzburgo. Em meados de 1774 apresentou uma ópera em Munique “La Finta Giardiniera”, e compôs suas primeiras sonatas para piano. 

Em 1777, depois de pedir demissão da corte, passa a viver em Viena, na Áustria, sobrevivendo de seus concertos, da publicação de suas obras e de aulas particulares. 

           

Em 1778 sua mãe falece. Em 1781, após encomenda, leva para Munique, a ópera “Idomeneo”, uma das mais notáveis de sua carreira.

Em 1782, mesmo sem a aprovação de seu pai, casa-se com Constanze Weber, com quem teve dois filhos. Os anos de 1781 até 1786 foram os mais produtivos de Mozart, várias óperas importantes foram compostas, entre elas, “O Rapto de Serralho” (1782), “As Bodas de Fígaro” (1786), sonatas para piano, músicas de câmara, em especial os seis quartetos de cordas dedicadas a Haydn, e diversos concertos para piano.

A partir de 1786, mesmo com o sucesso de suas obras, sua popularidade começou a declinar, Mozart começou a enfrentar problemas financeiros e de saúde. No ano de 1791 compôs suas últimas obras, entre elas, as óperas “A Flauta Mágica” e “A Clemência de Tito”, e a missa fúnebre "Requiem".

Wolfgang Amadeu Mozart ou (Johann Chrysostom Wolfgang Amadeus Mozart) faleceu em Viena, na Áustria, no dia 5 de dezembro de 1791. Seu corpo foi velado na catedral de Viena, sem nenhuma pompa, e enterrado em cova não demarcada no cemitério da Igreja de São Marx.

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sábado, 21 de março de 2015

DORIVAL CAYMMI - BIOGRAFIA

                      

Dorival Caymmi, compositor baiano, nascido em 30 de abril de 1914, é responsável em grande parte pela imagem que a Bahia tem hoje em dia, seu estilo inimitável de compor e cantar influenciou várias gerações de músicos brasileiros. Em Salvador teve vários trabalhos antes de tentar a sorte como cantor de rádio, e como compositor ganhou um concurso de músicas de carnaval em 1936. Dois anos mais tarde foi para o Rio de Janeiro com o objetivo de realizar o curso preparatório de Direito e talvez arranjar um emprego como jornalista, profissão que já havia exercido em Salvador. Mas, incentivado pelos amigos, muda de idéia e resolve enveredar para a música.

Primeiro, por obra do acaso, tem sua música O que é que a baiana tem? incluída no filme Banana da Terra, estrelado por Carmen Miranda. Em seguida sua música O mar foi colocada em um espetáculo promovido pela então primeira-dama Darcy Vargas. Daí em diante seu prestígio foi se ampliando. 





Passou a atuar na Rádio Nacional, onde conheceu a cantora Stella Maris, com quem se casou em 1940 e permanece casado até hoje. Seus filhos Dori, Danilo e Nana também são músicos. As canções que celebrizaram Caymmi versam na maioria das vezes sobre temas praieiros ou sobre a Bahia e as belezas da terra, o que colaborou para fixar, de certa forma, uma imagem do Brasil para o exterior e para os próprios brasileiros. 

Algumas das mais marcantes são A lenda do Abaeté, Promessa de pescador, É doce morrer no mar, Marina, Não tem solução, João Valentão, Maracangalha, Saudades de Itapoã, Doralice, Samba da minha terra, Lá vem a baiana, Suíte dos pescadores, Sábado em Copacabana, Nem eu, Nunca mais, Saudade da Bahia, Dora, Oração da Mãe Menininha , Rosa morena, Eu não tenho onde morar, Das rosas. 

Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos, mas o número de versões de suas músicas feitas por outros intérpretes é praticamente incalculável. Sua obra, considerada pequena em quantidade, compensa essa falsa impressão com inigualável número de obras-primas.


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sexta-feira, 13 de março de 2015

LUCAS CRANACH - BIOGRAFIA

                           
                                                                       LUCAS CRANACH


Conhecido como Lucas Cranach, o velho, nasceu em 1472, em Kronach, Alemanha e morreu em 1553, em Weimar, também na Alemanha.

                                    
                                                                 Adão e Eva


Tornou-se famoso em Viena. Além de pintor foi político atuante e amigo de Lutero. Sua obra foi o golpe de graça no mundo gótico e representa a aurora do renascimento na Alemanha.



                                    

                                                                             Cupido


Pintou de tudo: retratos de cortesãos, temas mitológicos, animais, paisagens, santos e demônios.


                                    
                                                                Madonna With Child


Tinha uma visão totalizante das coisas, não se limitando à reprodução fixa, estática.



                                       
                                    Judith con la cabeza de Holofernes


Via o mundo como um macrocosmo, integrando pessoas e paisagens, anjos e pássaros, árvores e santos.


                                        
                                                                         Vênus

Há quem diga que Cranach foi o precursor do Expressionismo ao tentar atingir efeitos fortes e poderosos pelo inusitado da composição.


                                   
                                                                               Circle

Os nus de Lucas Cranach são antológicos e causaram grande escândalo: as mulheres tem o corpo curvilíneo, adelgaçado, o rosto infantil, os olhos amendoados, sempre dançando, parecendo flutuar sobre o solo.


                                           
                                                                Jovem mãe com criança


Assinava os quadros desenhando uma serpente alada.

Seu prestígio social era enorme. Criou escola e mandava os alunos pintar quadros que depois retocava.

                                   
                                                                         Cristo

Abriu uma casa de comércio que vendia medicina, drogas miraculosas e vinhos. Apesar de protestante, pintava retratos de cardeais e vendia quadros eróticos.


                                             

                                                                 Retrato de Martinho Lutero


Com o tempo ficou riquíssimo e elogiava os prazeres da vida. No fim, as revoltas políticas na Alemanha levaram-no à prisão e ao exílio.


                                
                                                                       Martírio de Catarina


Mas não perdeu o orgulho: seus últimos quadros são de amor à vida, verdadeiros documentos iconográficos, de um sensualismo profundo.


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segunda-feira, 9 de março de 2015

ANDERSON KOCIS

                           ................EU...............
                                         ANDERSON KOCIS  -  AUTO CARICATURA


Anderson Kocis trabalha há mais de 30 anos com desenho. Caricaturas, charges, desenhos artísticos e quadrinhos estão no currículo deste talentoso desenhista e Designer gráfico.

Contato:  harmenszoon@hotmail.com 



ALGUNS TRABALHOS DO ARTISTA  BRASILEIRO:  ANDERSON KOCIS

             


                             
                             Trabalho executado com caneta esferográfica




                 

                                   Trabalho executado com caneta esferográfica

Para comemorar os 84 anos de um dos ícones da televisão brasileira, o metrô de SP está com uma exposição de caricaturas de Sílvio Santos. 
A mostra "84 Vezes Silvio Santos" traz charges publicadas na mídia. 
A Associação dos Cartunistas do Brasil reuniu 60 dessas caricaturas para uma exposição. 
Cada cartunista emprestou seu estilo e visão para retratar o sorriso e a irreverência de Silvio Santos.


Entre eles estão Nei Lima, Alecrim, Alex Souza, Amorim, Anderson Kocís, André de Pádua Oliveira, André HQ, André Sposito, Aroeira, Baptistão, Fred Osanan, entre outros.





                 



     


      



                  


                        


   



                   


                 


                     


                     



                         



                                


                                



                                 


                       


Divulgação: Aulas de Desenho
Professor: Anderson Kocis

https://youtu.be/jKjSxQKyHT8

https://youtu.be/uiYgbqoRzdA


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domingo, 8 de março de 2015

RAUL SEIXAS - BIOGRAFIA


            

Raul Seixas (1945-1989) foi um músico, compositor e cantor brasileiro, um dos grandes representantes do rock no Brasil. 

É conhecido por músicas como “Maluco Beleza” e “Ouro de Tolo”.

Raul Santos Seixas (1945-1989) nasceu em Salvador, Bahia, no dia 28 de junho de 1945.

Desde a adolescência, ficou impressionado com o fenômeno do Rock and Roll, o que levou a criar uma banda chamada "Os Panteras". 

Lançou o seu primeiro disco em 1968, “Raulzito e seus Panteras”. 

Mas o sucesso veio mesmo depois do lançamento do disco “Krig-ha, Bandolo!” (1973), cuja música principal, “Ouro de Tolo”, fez grande sucesso no Brasil. 

O disco tinha outras músicas de grande repercussão, como “Mosca na Sopa” e “Metamorfose Ambulante”.

Raul Seixas se envolveu com ocultismo, estudou filosofia e psicologia, o que o fez um dos poucos compositores a tentar imprimir suas idéias em letras aliadas ao som vibrante do Rock, juntamente com ritmos nordestinos.

Em 1974, criou a Sociedade Alternativa, um conceito de sociedade livre inspirada no ocultista Aleister Crowley e que foi tema de uma de suas canções do disco "Gita" (1974).

Raul Seixas produziu bons trabalhos como "Novo Aeon" (1975), "Metrô Linha 743" (1983), "Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!" (1987) e "A Panela do Diabo"(1989), este último, em parceria com o roqueiro Marcelo Nova. 

Raul Seixas foi considerado um dos maiores músicos brasileiros, com grande número de admiradores.

Raul Seixas enfrentou sérios problemas com o álcool. 

Faleceu no dia 21 de agosto de 1989, com apenas 44 anos, vítima de pancreatite aguda.

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FERNAND LEGER - BIOGRAFIA


                               
                      Pintor francês (4/2/1881-17/8/1955). 
Desenvolve uma expressão própria de arte: a estética da máquina. Nascido em Argentan, na Normandia, entra para a Escola de Artes Decorativas de Paris em 1903. 
                          
Cinco anos mais tarde conhece os escritores Guillaume Apollinaire e Blaise Cendrars, que lhe apresentam o cubismo, movimento ao qual adere, criando uma linguagem pessoal.
              
Pinta A Costureira em 1909, com poucas cores e formas cilíndricas. Em 1913, utilizando a abstração nos trabalhos, pinta a série Contrastes de Formas, ilustrando sua teoria de que a pintura deve oferecer diversidade de cores, linhas e volumes.
               
Começa seu período mecânico em 1919, fascinado por motores, trilhos de trem e ambientes fabris. Faz cenários para balés. Seu filme Balé Mecânico não tem narrativa, apenas máquinas e corpos humanos flutuando.

                  
Muda-se para os Estados Unidos durante a II Guerra Mundial (1939-1945) e volta para Paris com o fim do conflito, quando se filia ao Partido Comunista francês. Sua arte, então, reflete o interesse político pelas classes trabalhadoras, apesar de não se enquadrar no realismo socialista. Morre em Gif-sur-Yvette, na França.

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sábado, 7 de março de 2015

ENRICO BIANCO - BIOGRAFIA

             

                        Enrico Bianco (1918 - 2013)

Enrico Bianco (Roma, Itália 1918 - Rio de Janerio RJ 2013)
Pintor, gravador, desenhista e ilustrador.
Inicia seus estudos com Maud Latour, em Roma, na década de 1930. No Rio de Janeiro, entre 1935 e 1937, estuda com Candido Portinari (1903 - 1962) no Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal - UDF. No ano seguinte, trabalha com Portinari em diversas obras, destacando-se os murais do Ministério da Educação e Cultura - MEC, os painéis do Banco da Bahia, o edifício da ONU etc. Em 1940, realiza sua primeira individual no Copacabana Palace Hotel. Ilustra edição especial de Caçada de Esmeraldas, de Olavo Bilac (1865 - 1918), organizada por bibliófilos brasileiros e o álbum de gravação do poema sinfônico Anhanguera, de Hekel Tavares, em 1951.

Um intelectual e dois artistas

Roma, 1935. Na vasta sala do velho casarão, o som de um piano transmite ao ambiente os acordes de um noturno de Chopin.

Sentado à mesa, um adolescente, nos seus 17 anos, mantém espalhados lápis coloridos, tintas e folhas com esboços de desenhos. Algumas pinturas vão tomando forma sobre alguns deles, inacabadas ainda, mas encaminhadas para a resolução, com a segurança de quem sabe o que está fazendo.
              

Ao lado, um senhor de meia idade confere os rascunhos de um texto que terminara há pouco e que espera colocar no correio antes do fim do dia.

O homem é Francesco Bianco, escritor e correspondente internacional do «Jornal do Brasil», do Rio de Janeiro. A pianista, sua mulher, é Maria Bianco-Lanzi que, além da virtuosidade e familiaridade com o teclado, é dotada de uma cultura invulgar.

             

O moço envolvido com as tintas é o filho dos dois, Enrico Bianco que, desde os seis anos de idade, incentivado pelos pais, vinha estudando desenho e pintura, tendo arrolados entre seus mestres alguns nomes conhecidos da arte italiana, como Deoclécio Redig de Campos, que chegou a diretor do Museu do Vaticano.
              

Agora, recebia aulas Dante Ricci, outrora professor da família real, não tão famoso, mas igualmente capaz e severo, passando ao aluno não só as técnicas mas sobretudo um conceito de rígida disciplina, necessária para quem deseje levar avante qualquer trabalho artístico.

              

O pai levanta-se e vai ao correio levar seu trabalho. O moço, que treinava pelo menos seis horas ao dia, fica imerso em seus afazeres. E o som do piano prossegue, iluminando o ambiente e inspirando o artista.

                  

Adio,Italia mia

Então, certa vez, o piano se calou. Silenciou para sempre. A família Bianco vivia naquele momento seus piores dias. Além da tragédia que se abateu sobre eles, com a dolorosa perda da esposa e mãe, os problemas se acumulavam, sem perspectiva de solução.

                 

Francesco Bianco fora outrora um deputado pela democracia cristã e, com a ascensão do fascismo na Itália, caiu em desgraça. O «Jornal do Brasil», vivendo a crise dos anos 30 e sentindo os efeitos do fechamento do regime também no Brasil, após a posse de Getúlio Vargas, demitiu-o da posição de seu correspondente na Itália.

                 

Com toda sua erudição e bom relacionamento na Itália, Francesco bem que poderia arrumar novo emprego mas, para trabalhar na imprensa ou em qualquer órgão de comunicação, precisaria ter a carteira de fascista, que nem ele queria tirar, nem lhe seria dada, por seus antecedentes políticos.

                

Havia outra saída possível, que era viajar para o Brasil, onde já estivera em 1920. Ali, tinha até uma promessa de emprego na Italcable, um serviço telegráfico por cabos submarinos que concorria com a Western americana. Mas para isso eram necessários os passaportes e estes lhe foram negados, por ser considerado um inimigo do governo, indesejável quando perto e incontrolável quando longe.

Avanti tutti

Sentindo as dificuldades emergentes, o médico da família, que era também cardiologista de Mussolini, propôs-se a buscar uma solução e, durante uma consulta de rotina ao ditador, arriscou uma frase: «A mulher de Bianco morreu».

             

«Eu sei», respondeu o Duce. A resposta era fria, mas não inamistosa ou ostensiva. O médico arriscou outra investida: «Ele quer três passaportes, para ele e as duas crianças.»

                 

Um novo e prolongado silêncio e, então, Mussolini responde, firmemente: «Pois que preencha os papéis, que eu autorizo a emissão.»

                 

E foi assim que, no ano de 1937, conduzido pelas forças do destino, Enrico Bianco chegou ao Rio de Janeiro, acompanhado do pai e da irmã, estabelecendo-se para sempre no Brasil. Meses após a chegada, teve um encontro que marcou-o pelo resto da vida.

A mão do garimpeiro

Havia seis meses que Bianco estava no Brasil quando o pintor Paulo Rossi lhe sugeriu visitar uma obra que Portinari estava preparando na sede do Ministério da Educação. Ele foi, mas só encontrou lá três ajudantes: Burle marx (1909-1994), Inês e Ruben Cassa (1905).

                

Percebendo as dificuldades que os três estavam tendo com a ampliação, em afresco, da mão de um garimpeiro, pediu que o deixassem tentar e, contando com o assentimento, pintou sozinho aquele detalhe.

                   

Pouco depois chega Portinari e, com intuição de mestre, percebeu a interferência, perguntando com irritação: «Quem é que fez aquela mão ali?» Os discípulos apontaram para Bianco, encolhido a um canto, a quem o mestre, aparentemente, deu pouca ou nenhuma atenção.

                 

Bianco, se soubesse, nem teria ido lá mas, já que estava, deixou-se ficar, apreciando o desenvolvimento da obra. Pela hora do almoço, decidiu voltar à casa, despedindo-se de Portinari, que lhe perguntou, com a energia de sempre: «Mas, aonde vai?» «Vou para casa», respondeu Bianco.

                 

O mestre estendeu-lhe a mão, com a mesma cara de zangado e lhe perguntou: «Mas amanhã você volta, não volta?»

Foi assim que, aos poucos, o jovem pintor foi se integrando à equipe de Portinari, tornando-se, por muitos e muitos anos, um valoroso 
colaborador.

                 

A «mão do garimpeiro», a primeira intervenção de Bianco na pintura do mestre, continua lá, onde foi pintada. E a influência de Portinari em Bianco é visível em muitos de seus quadros. O pintor cresceu, ganhou vida própria, mas nunca se afastou do estilo que assimilou e aprendeu a respeitar.

Barrado no baile

A aproximação entre Bianco e Portinari, se de um lado só lhe trouxe orgulho e admiração, de outro, também lhe causou problemas, notoriamente pela aversão de alguns políticos brasileiros a Portinari, principalmente por sua ideologia e posições políticas. Conquanto o mestre não fosse um ativista, o simples fato de demonstrar simpatias ao comunismo o colocava sob a mira macartista e, com ele, todos aqueles que o seguiam.

               

Em 1960, o México cuidava da organização de sua 2ª Bienal e, desejando incluir nela alguns artistas brasileiros, mandou para cá um representante, o qual, entre outros, convidou Enrico Bianco, encarregado de preparar três quadros especialmente para o evento.

Como o Itamarati prontificou-se a pagar as despesas de viagem, achou-se no direito de rever a lista de convidados, riscando dela Bianco, sob a alegação de que ele nasceu na Itália, não representando, pois, a arte brasileira.

                

Mal deu para esconder a aversão ao pintor. Bianco nasceu na Itália mas fez-se no Brasil à sombra de um dos maiores mestres brasileiros. Sua temática era toda ela voltada para nossa terra, nossa gente, nossos costumes. Rubem Braga saiu em sua defesa, em artigo publicado pela revista «Manchete»:
                        
«Vi os quadros. São melhores do que eu esperava são bons quadros de pintura moderna em qualquer parte do país e do mundo, e são os quadros de um pintor formado no Brasil e sensível às sugestões e ao sentimento da vida brasileira são, portanto, quadros excelentemente representativos da pintura brasileira em qualquer mostra internacional. Eu vi e os críticos não podem discutir comigo, porque os críticos não viram.»

                 

Não adiantou. Quando o Estado interfere na arte, a arte sempre leva a pior. E o artista também.

O mais brasileiro dos italianos

Enrico Bianco nasceu em Roma em 18 de julho de 1918. Embora italiano, veio para o Brasil ainda na adolescência, desenvolvendo sua arte em meio à efervescência do modernismo brasileiro, ativado a partir do Movimento Modernista de 1921 no Rio de Janeiro e ganhando consistência a partir da Semana da Arte Moderna de 1922 em São Paulo.
                   

Conviveu com grandes mestres brasileiros da pintura, como Candido Portinari, de quem foi discípulo, privou da amizade de Burle Max e recebeu rasgados elogios de gente de proa no mundo artístico, como Antônio Bento e Pietro Maria Bardi.

              

Por ter escolhido o Brasil como sua segunda pátria, por ter-se fixado aqui para sempre, e por ter desenvolvido aqui praticamente toda sua obra, com influência inegável de artistas brasileiros, e tendo, como tema de trabalho, a vida, os costumes e a sociedade brasileira, Bianco pode ser incluído, com muita propriedade, entre os Pintores do Brasil.


Texto: Paulo Victorino

Críticas

"O conhecimento imediato com Portinari, no ano seguinte à chegada ao Brasil, marcou definitivamente o desenho e a pintura de Enrico Bianco desde então. (...) Assim, vemos desenvolver-se, ao longo da obra de Bianco, a busca de fusão entre pólos aparentemente opostos, quais sejam a disciplina organizativa do espaço pictórico segundo esquemas de linearidades e jogos de planos sutilmente cubistas, e a propensão. Em verdade, mais abrangente, no sentido da veemência expressionista. Decorreu daí o predomínio da figura no trabalho de Bianco, tratada sob preocupação de registrar a dramaticidade de contingências típicas do mundo de hoje, acrescido de guerras globais, ou sob o estímulo de outras memórias do drama, na série de pinturas de fundamento religioso. As paisagens, por sua vez, acentuaram presença na obra atual, sem que nelas, no entanto - apesar da agilidade e idêntica veemência no tratamento do conjunto -, se possa experimentar aquela mesma densidade expressionista de abordagem dos outros temas; é possível inclusive sentir, nesses trabalhos, direcionamento para a simplificação abstratizante de cada elemento e de seu contexto, embora a paisagem continue ali, visível e reativada".

Roberto Pontual
PONTUAL, Roberto. Arte/Brasil/hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.
"Bianco é um pintor de talento, dos que desde moço se aprende a respeitar. Não limita sua atividade a determinados setores. Tudo na vida o interessa; o que lhe permite manifestar-se na mais variada temática. Foge das fórmulas e dos modismos. Companheiro de Portinari, participou, nos tempos da construção do edifício do Ministério da Educação e Saúde, da ação do grupo dos modernistas que juntava Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Oscar Niemeier, Lúcio Costa, Carlos Leão, os irmãos Roberto e Affonso Eduardo Reidy, Villa-Lobos e quantos outros aos quais se deve a renovação que teve seu ponto de partida na Semana de 22. Como artista emergente da tradição erroneamente denominada acadêmica, a Bianco interessa a figura, a paisagem, a natureza-morta e particularmente as cenas do campo. Cada tela mostra a maestria dos que se devotam à profissão de pintor-pintor, continuando a considerar e revelar casos e encontros".

Pietro Maria Bardi
LOUZADA, Júlio. Artes plásticas: seu mercado, seus leilões. São Paulo: J. Louzada, 1984-.
"Enrico Bianco é este acontecimento raro, no Brasil, do artista que pinta a partir de uma tradição que tem mais de 10 anos. Esta é, aliás, a primeira coisa que impressiona o público ao contatar esta obra. De repente há algo de diferente neste trabalho e isto não está só no tema ou na visão do artista, mas na sua maneira de pintar. O que, vale dizer, esta diferença, este algo que chama a atenção, está na pincelada, no uso dos pigmentos, nas cores sobrepostas a outras cores, na composição e no desenho, na exaltação do modelo. O público tem a certeza de que estas pinturas levaram muito tempo para serem feitas e que o aprendizado do artista foi longo, dedicação de vida inteira. São obras que parecem ter eliminado o acaso, ainda que isto não seja verdadeiro. Há um propósito e o diálogo entre obra e público se dá a partir desta constatação. E, enfim, se ainda estivéssemos na época de refutar o burguês anedótico, desta feita, poderíamos afirmar que ele não diria: "isto o meu filho de 10 anos também faz". Certamente podemos chamar este fazer pictórico de Enrico Bianco de maestria. Este saber, construído pelo artista em tantos anos de culto labor, concretiza-se em alguns assuntos preferidos como a figura feminina, natureza morta, trigais, cenas da lida rural, paisagens, nos quais encontramos mais do que a transfiguração da realidade cotidiana, já que o que está presente é a pintura feita de delicadezas, lirismo, sons ocultos. Já não nos interessa exatamente o motivo do qual parte o artista ou o seu estímulo visual, mas a criação de um universo único e particular. Enrico Bianco não faz flores, mulheres ou boiadas, mas pintura".
Jacob Klintowitz

BIANCO. Bianco. Curadoria José Adolpho M. Ayres; apresentação Jacob Klintowitz; projeto gráfico Hélio Alves Neves. São Paulo : Galeria de Arte André, 1997. 25 p. il. color.

Exposições Individuais

1940 - Rio de Janeiro RJ - Primeira individual no Brasil, no Copacabana Palace Hotel
1941 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ita
1942 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Casa e Jardim
1956 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie
1958 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Tenreiro
1963 - Europa - Exposición de América y España
1964 - Lisboa (Portugal) - Individual
1964 - Nova Orleans (Estados Unidos) - Individual
1966 - Rio de Janerio RJ - Individual, na Petite Galerie
1966 - Roma (Itália) - Individual, na Galeria da Casa do Brasil
1967 - Tel Aviv (Israel) - Individual
1967 - Roma (Itália) - Individual, na Galeria Piazza di Spagna
1968 - Recife - Individual, na Galeria Ranulpho
1970 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria de Arte Ipanema
1971 - São Paulo SP - Individual, na The Chelsea Art Galleries Jardim
1972 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Copacabana Palace
1973 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria de Arte Ipanema
1973 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte Ipanema
1975 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Graffiti
1976 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria de Arte Ipanema
1978 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Mini Gallery
1980 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Renot
1981 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Dezon
1982 - São Paulo SP - Exposição Retrospectiva, no Masp
1982 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Retrospectiva, no MNBA
1996 - Brasília DF - Individual, no Palácio Itamaraty
1997 - Santos SP - Individual, na Fundação Benedito Calixto
1997 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte André

Exposições Coletivas

1935 - Roma (Itália) - 1º Quadriennale Nazionale d'Arte
1940 - Rio de Janeiro RJ - Seção Moderna do Salão Nacional de Belas Artes - medalha de prata
1951 - Rio de Janeiro RJ - Exposição de Naturezas Mortas, no Serviço de Alimentação e Previdência Social
1951 - São Paulo SP - 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon
1954 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas - sala especial
1954 - Rio de Janeiro RJ - Salão Preto e Branco, no Palácio da Cultura
1954 - São Paulo SP - Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP
1960 - Cidade do México (México) - 2ª Bienal Interamericana do México - sala especial
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1974 - Rio de Janeiro RJ - O Mar, na Galeria Ibeu Copacabana
1981 - Paris (França) - Salon de la Société Nationale des Beaux-Arts
1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ
1983 - Atami (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Kyoto (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1983 - Rio de Janeiro RJ - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no MNBA
1983 - São Paulo SP - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Masp
1983 - Tóquio (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão
1985 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1985 - São Paulo SP - 100 Obras Itaú, no Masp
1986 - Rio de Janeiro RJ - Sete Décadas da Presença Italiana na Arte Brasileira, no Paço Imperial
1988 - São Paulo SP - 15 Anos de Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, na Fundação Mokiti Okada M.O.A.
1989 - São Paulo SP - Trinta e Três Maneiras de Ver o Mundo, na Ranulpho Galeria de Arte
1992 - Rio de Janeiro RJ - Eco Art, no MAM/RJ
1993 - São Paulo SP - 100 Obras-Primas da Coleção Mário de Andrade: pintura e escultura, no IEB/USP
1995 - Rio de Janeiro RJ - 1º Riocult, no Riocentro
1996 - Passo Fundo RS - Museu de Artes Visuais Ruth  Schneider: exposição inaugural, no Museu de Artes Visuais Ruth Schneider
1996 - Rio de Janeiro RJ - Visões do Rio, no MAM/RJ
1998 - Rio de Janeiro RJ - Imagens Negociadas: retratos da elite brasileira, no CCBB
1998 - São Paulo SP - Futebol em Arte, na Galeria de Arte André
2000 - São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Ricardo Camargo
2001 - São Paulo SP - 4 Décadas, na Nova André Galeria
2002 - São Paulo SP - Paisagens do Imaginário, na Nova André Galeria
2003 - Rio de Janeiro RJ - Tesouros da Caixa: arte moderna brasileira no acervo da Caixa, no Conjunto Cultural da Caixa
2003 - São Paulo SP - Entre Aberto, na Gravura Brasileira
Fonte: Itaú Cultural

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