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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

EDOARDO DE MARTINO - BIOGRAFIA

                                             Edoardo de Martino


Edoardo de Martino (Meta, Itália 1838 - Londres, Inglaterra 1912). Pintor, professor. Estuda, na década de 1840, na Escola Naval de Nápoles, Itália. Na mesma cidade, mantém contato com Giacinto Gigante (1806 - 1876), pintor ligado à Escola de Posillipo. De Martino atua como oficial da Marinha de guerra italiana de 1849 a 1855, e depois radica-se em Montevidéu. 

                   Fragata Encouraçada Independência

                          Fragata Encouraçada Independência


Vem para o Brasil em 1868, fixa-se no Rio de Janeiro. Viaja para Porto Alegre para divulgar seus trabalhos e ministrar aulas de pintura para Telles Júnior (1851 - 1914). Como pintor oficial encarregado por dom Pedro II (1825 - 1891), registra em desenhos os acontecimentos da Guerra do Paraguai (1864-1870). 
                   Marinha Botafogo

                                 Marinha Botafogo


Apresenta na 21ª Exposição Geral de Belas Artes, em 1870, as composições Uma Noite ao Luar no Cabo de Horn, s.d., e Passagem de Humaitá por uma Divisão da Esquadra Brasileira na Noite de 19 de Fevereiro de 1868, s.d., e recebe medalha de ouro. 

               O Minas Gerais

                                                        O Minas Gerais


É eleito, em 1871, membro correspondente da Academia Imperial de Belas Artes - Aiba. Em 1875, muda-se para Londres. Em 1895, é nomeado pintor de marinhas da corte inglesa. Realiza, em toda sua trajetória, quantidade considerável de paisagensmarinhas e pinturas de combates navais.

               Navios Salvando na Guanabara

                                           Navios Salvando na Guanabara

Durante a Guerra do Paraguai, De Martino acompanha os almirantes Barroso e Tamandaré, e registra em desenhos o evento. Depois, realiza uma série de telas sobre as batalhas fluviais, como Bombardeio de Curuzu, s.d., Aprisionamento da Corveta Bertioga, s.d., Passagem do Humaitá, s.d., Combate Fluvial do Riachuelo, s.d., entre outras. Para a historiadora da arte Ana Maria Belluzzo, a pintura de De Martino destaca-se pelos jogos plásticos obtidos por meio de efeitos de luminosidade, e revela a sua preferência por cenas noturnas, que permitem uma maior indefinição das figuras.


O crítico de arte Gonzaga Duque (1863 - 1911) aponta a acuidade do artista na realização das composições, ressaltando que são feitas com paciência, com saber, com escrúpulo. Destaca especialmente um quadro seu, de pequeno formato, em que está representado o navio Independência, no qual "não falta um escaler, uma corda ao aparelho de velame, uma corrente ao cano das fornalhas. É de um desenho minuciosíssimo".
De Martino é visto pelos estudiosos como um documentarista. Procura dar um caráter de veracidade histórica às suas obras ao compô-las com base em fotografias de personalidades eminentes na batalha e, também, de tipos físicos de índios guaranis e de negros e mulatos do Rio de Janeiro.
Notas
 DUQUE-ESTRADA, Luis Gonzaga. A arte brasileira. Campinas: Mercado de Letras, 1995. (Coleção Arte: Ensaios e Documentos). p.138.

Exposições

  • Exposição Geral de Belas Artes (21. : 1870 : Rio de Janeiro, RJ)

    início: 6/3/1870
    Academia Imperial de Belas Artes (Aiba)
    Participante
    Coletiva
  • Exposição Geral de Belas Artes (22. : 1872 : Rio de Janeiro, RJ)

    início: 15/6/1872 - término: 7/7/1872
    Academia Imperial de Belas Artes (Aiba)
    Participante
    Coletiva
  • Exposição Geral de Belas Artes (23. : 1875 : Rio de Janeiro, RJ)

    início: 13/3/1875
    Academia Imperial de Belas Artes (Aiba)
    Participante
    Coletiva
  • Exposição Geral de Belas Artes (25. : 1879 : Rio de Janeiro, RJ)

    início: 15/3/1879 - término: 18/5/1879
    Academia Imperial de Belas Artes (Aiba)
    Participante
    Coletiva
  • Pintores Italianos no Brasil (1982 : São Paulo, SP)

    início: 1982
    Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP)
    Participante
    Coletiva
  • 150 Anos de Pintura de Marinha na História da Arte Brasileira (1982 : Rio de Janeiro, RJ)

    início: 1982
    Museu Nacional de Belas Artes (MNBA)
    Participante
    Coletiva
  • Fontes de Pesquisa

    FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983. 677 p., il., p&b.
    150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. 490 p., il. color.
    ACQUARONE, Francisco; VIEIRA, Adão de Queiroz. Primores da pintura no Brasil - I. 2.ed. [Rio de Janeiro]: [s.n.], 1942.
    ARTE no Brasil. Introdução Pietro Maria Bardi, Oscar Niemeyer. São Paulo: Abril Cultural, 1982.
    CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Prefácio Carlos Roberto Maciel Levy. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. 292 p., il. p&b. color.
    PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Apresentação Antonio Houaiss; Texto Mário Barata, Lourival Gomes Machado, Carlos Cavalcanti et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559 p., il. p&b., color.
    RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Nacional, 1941.
    TORAL, André. Imagens em desordem: iconografia da Guerra do Paraguai (1864-1870). Coordenação editorial Maria Helena G. Rodrigues. São Paulo: Humanitas : USP. FFLCH, 2001.
    DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti. Brasília: INL, 1973-1980. v.2, il., (Dicionários especializados, 5).
    DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira. Introdução Tadeu Chiarelli. Campinas: Mercado de Letras, 1995. 270 p. (Arte: ensaios e documentos).
    DUQUE, Gonzaga. Graves e Frívolos: por assumptos de arte. Lisboa: Clássica, 1910. 164 p.
    EDUARDO de Martino, pintor e marinheiro. Texto de Ana Maria de Moraes Belluzzo; pesquisa Ana Cecília de Arruda Campos. São Paulo: Pancron Indústria Gráfica, 1988.
    TRADIÇÃO e ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1984. 308 p., il. p&b color. 
    BOGHICI, Jean (org.). Missão Artística Francesa e pintores viajantes: França-Brasil no século XIX. Apresentação Michel Oyharcabal. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Brasil-França, 1990. 142 p., il. p&b., color.
    150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. 490 p., il. color.
    ACQUARONE, Francisco; VIEIRA, Adão de Queiroz. Primores da pintura no Brasil. 2.ed. [Rio de Janeiro]: [s.n.], 1942. [315] p., 77 pranchas color. 2v.
    ARTE no Brasil. Apresentação de Pietro Maria Bardi e Pedro Manuel. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
    BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
    CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Prefácio Carlos Roberto Maciel Levy. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. 292 p., il. p&b. color.
    DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: INL, 1973-1980. 4v., il., (Dicionários especializados, 5).
    DUQUE-ESTRADA, Luis Gonzaga. A arte brasileira. Campinas: Mercado de Letras, 1995. (Coleção Arte: Ensaios e Documentos).
    DUQUE, Gonzaga. Graves e Frívolos: por assumptos de arte. Lisboa: Clássica, 1910. 164 p.
    FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983. 677 p., il., p&b.
    OS PINTORES Viajantes - Acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1994. 
    PRIMORES da pintura no Brasil. Francisco Acquarone; A. de Queiroz Vieira. 2. ed. Rio de Janeiro, s. ed. , 1942.
    TORAL, André. Imagens em desordem: iconografia da Guerra do Paraguai (1864-1870). Coordenação editorial Maria Helena G. Rodrigues. São Paulo: Humanitas : USP. FFLCH, 2001. 218 p., il. p&b color.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

CLAUDIO MANUEL DA COSTA - BIOGRAFIA

                              

                                                  Claudio Manuel da Costa
Nasceu na cidade de Ribeirão do Carmo (hoje Mariana), em Minas Gerais, no ano de 1729. 
Aos vinte anos foi a Portugal para estudar Direito na faculdade de Coimbra, dividindo as obrigações do curso com a produção literária. Depois de terminada a faculdade, retorna ao Brasil onde exerce a função de advogado na então cidade de Vila Rica (hoje Ouro Preto).
Em Minas Gerais ajudou a fundar a Arcádia Ultramarina com os poetas com Manuel Inácio da Silva, Silva Alvarenga e Tomás Antônio Gonzaga entre outros poetas e intelectuais. Adotou, no ano de 1773, o pseudônimo de Glauceste Satúrnio, sob o qual escreveu a maioria de suas poesias. 
Inspirados pelo pensamento iluminista, os integrantes da Arcádia desenvolveram uma conspiração política contra o governador da capitania, culminando na Conjuração Mineira. Por essa época, sua poesia adquire um tom político e o poeta se mostra preocupado com diversas questões políticas e sociais. O movimento levou seus membros à prisão, sob acusação de lesa-majestade, isto é, de traição ao rei de Portugal. 
Por seu envolvimento na Conjuração Mineira, o poeta foi encontrado morto em sua cela no ano de 1789. A causa da sua morte ainda não foi esclarecida e alguns historiadores acreditam que ele tenha sido morto a mando do Governador, outros, que ele haveria cometido suicídio.
Anos mais tarde, ao final do século XIX, como homenagem, Claudio Manoel da Costa foi escolhido o Patrono da cadeira de número oito da Academia Brasileira de Letras.

Obras
Claudio Manoel da Costa é considerado o primeiro poeta do movimento árcade brasileiro, embora ainda apresente características barrocas em toda a sua obra, principalmente no que diz respeito ao estilos cultista e conceptista utilizados, compondo poemas perfeitos na forma e na linguagem. Por isso, costuma-se dizer que Claudio Manoel da Costa é um poeta de transição entre o barroco e o arcadismo. Além disso, seus poemas têm influência dos versos camonianos.
O início do movimento árcade na literatura brasileira tem como marco a publicação de sua coletânea de poemas intitulada Obras (1768). Diferentemente da produção poética anterior, Claudio Manoel da Costa prioriza o retrato da natureza como um local de refúgio dos problemas da vida urbana, onde o poeta/pastor pode desfrutar da vida rural.
Seus temas giram em torno de reflexões morais e das contradições da vida, além de ter escrito um poema épico, Vila Rica, no qual exalta o bandeirantes, exploradores do interior do país além, é claro, da fundação da cidade de mesmo nome.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

HENRI BERGSON - BIOGRAFIA

                                     

 Henri Bergson

Henri-Louis Bergson filósofo, filho de um imigrante judeu de origem polonesa, nasceu em Paris no dia 18/10/1859. Quando era jovem demonstrava notável aptidão para as ciências, ganhou diversos concursos de matemática, mas decidiu optar pela filosofia na École Normale Supérieure. Lecionou em Angers (1881-1883) e depois, até 1888, em Clermont-Ferrand. Doutor em letras desde o ano seguinte, quando retornou a Paris, foi professor no Liceu Henri IV, na École Normale Supérieure e no Collège de France. Faleceu em 04/01/1941 em sua cidade natal.

A filosofia de Bergson se constrói sobre quatro noções fundamentais às noções de duração (durée), memória, impulso (élan) vital, intuição .
A maioria da sua obra foi publicada em Paris por Félix Alcan (de 1945 até os dias atuais: Presses Universitaires de France) na Bibliothèque de Philosophie Contemporaine. Sua primeira obra La Spécialité (A Especialidade) trata-se de um discurso proferido durante a entrega de prêmios do Liceu de Angers, na qualidade de professor de Filosofia, em 3 de agosto de 1882.
Após algumas publicações, em 1889, Bergson conclui sua Tese da Faculdade de Letras da Universidade de Paris, intitulada: Quid Aristóteles de Loco Senserit (O que Aristóteles entendia por topos) e, no mesmo ano, sua Tese de doutoramento, apresentada na Faculdade de Letras de Paris: Essai sur lês donnés immédiates de la concience (Ensaios sobre os Dados Imediatos da Consciência).
Um de seus mais importantes ensaios Matière et Memóire (Matéria e Memória) traduzido em português, que trata sobre a relação corpo-espírito, foi publicado em 1896 e reeditado com introdução inédita em 1910. E em português no ano de 1999, pela Martins Fontes.
Nos anos seguintes, Bergson publicou mais alguns ensaios e conferências, mas foi em 1907 que ele escreveu sua obra prima LÉvolution Créatrice (A Evolução Criadora). Após alguns anos de indicação para candidatura, finalmente em 1927 com aprovação incondicional ao trabalho deste grande filósofo francês, Bergson foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, em que concorriam mais 35 candidatos. Nesta ocasião, ele fora recomendado por inúmeros escritores de renome de seu próprio país. Entre os candidatos estavam escritores importantes como Thomas Mann, que acabava de publicar A Montanha Mágica, Máximo Gorki, Paulo Bourget e a condessa de Noailles.

No Discurso de Recepção, proferido por Hallström por ocasião da entrega do Prêmio Nobel de Literatura a Bergson em 10/11/1928, consta um breve relato do que se constituiu o pensamento de Bergson. “Aquilo que habitualmente designamos sob o nome de tempo, o tempo medido pelo movimento dum relógio ou pelas revoluções solares, é uma coisa inteiramente diversa: constitui apenas uma forma criada por e para o espírito e a ação… é, em suma, uma aplicação da forma do espaço” Para o autor, o tempo é uma realidade indissoluvelmente ligada à vida e ao sujeito. É o ‘tempo vivo’, a duração”. Na sua concepção o “futuro só nasce no momento em que é vivido” (Bergson, 1964:.21).
Nos anos que se seguiram ao Prêmio Nobel da Literatura, Bergson ministrou inúmeras conferências e discursos entre eles L’Énergie Spirituelle ( A Energia Espiritual) – Ensaios e Conferências em 1919; Derée et Simultanéité (Duração e Simultaneidade) – A propósito da teoria de Einstein em 1922 eLa Pensée et el Mouvant ( O Pensamento e o Movente) em 1933. Após a sua morte em 1941 foram publicadas alguns livros, entre eles, Obras Completas, em 1945 e Memoire et Vie(Memória e Vida), textos escolhidos por Gilles Deleuze, Paris, P.U.F. Em 1999, é traduzido para o português a obraBergsonismo, também escrita por Deleuze, pela Editora 34.
Frases
Sobre duração“Porque a nossa duração não é um instante que substitui outro instante: se assim fosse jamais haveria presente, não haveria prolongamento do passado no atual, não haveria evolução, nem duração concreta. A duração é o progresso contínuo do passado que rói o futuro e que incha avançando” (Bergson, 1964: 44).
“A duração real é aquela que morde as coisas e deixa e nela deixa a parca dos dentes. (…) a repetição só é possível no abstrato: o que se repete é esse ou aquele aspecto que os nossos sentidos e, sobretudo nossa inteligência desligaram da realidade, precisamente porque nossa atividade para a qual se acha voltado todo o nosso esforço da inteligência só pode mover-se entre as repetições. (…) Nós não pensamos o tempo real. Mas o vivemos, porque a vida transborda da inteligência (Bergson, 1964:78)”
Sobre a evolução[...] o papel da vida consiste em inserir indeterminação na matéria. Indeterminadas, quer dizer, imprevisíveis, são as formas que ela cria à medida que evolui (Bergson, 1964:144)”
Sobre a inteligência[...] a inteligência é, antes de mais nada, a faculdade de relacionar um ponto do espaço com outro ponto do espaço, um objeto material a outro objeto material; aplica-se a todas as coisas, mas permanecendo exterior a elas, e não distinguindo nunca,  duma causa profunda, senão a sua difusão em efeitos justapostos (Bergson, 1964:186).”
Sobre a inteligência e a intuição[...] a inteligência e o instinto acham-se voltados em dois sentidos opostos, aquela para a matéria inerte, este para a vida.[...] a inteligência permanece o núcleo luminoso em torno do qual o instinto, mesmo alargado e depurado como intuição, constitui apenas uma vaga nebulosidade. Mas, na ausência do conhecimento propriamente dito, reservado à pura inteligência, a intuição poderá fazer-nos apreender aquilo para que os dados da inteligência são aqui insuficientes, e deixar-nos entrever o meio de os completar. (Bergson, 1964:187)”
Sobre intuição como método“[...] a intuição forma um método, com suas três (ou cinco) regras. Trata-se de um método essencialmente problematizante (crítica de falsos problemas e invenção de verdadeiros), diferenciante (cortes e intersecções) e temporalizante (pensar em termos de duração) (Deleuze, 1999: 26)”.
Links
Traz uma biografia breve de todas as pessoas que receberam o Premio Nobel, nas diversas categorias: Medicina, Literatura, Paz, Física, Economia etc.
www.nobelprize.org

Referências Bibliográficas
BERGSON, H. Ensaio sobre os dados daconsciência. Lisboa: Edições 70, 1988.
____ Evolução criadora. Delta-Rio:1964
____ Matéria e memória. São Paulo:Martins Fontes, 1990
____As duas fontes da moral e dareligião. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
____ História da filosofia. Traduçãode Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Nova Cultural,1996. (Os pensadores)
DELEUZE, Gilles. Bergsonismo. São Paulo: Ed.34, 1999.
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terça-feira, 30 de junho de 2015

ALFREDO VOLPI - BIOGRAFIA

                                         
Alfredo Volpi nasceu em Lucca, Itália, a 14 de abril de 1896. 

Em 1897, a família Volpi emigra para São Paulo e se estabelece na região do Ipiranga, com um pequeno comércio. Destino comum aos filhos de imigrantes italianos, Volpi inicia-se em trabalhos artesanais e, em 1911, torna-se pintor decorador. Talvez daí decorra o gosto pelo trabalho contínuo e gradual da sua linguagem estética, próprio da valorização de um “saber fazer”.

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                     Grande fachada festiva

Até os anos 30, Volpi elabora sua técnica e, principalmente, a partir da década de 1930, emerge um trabalho mais consciente, utilizando-se das cores para a construção de um equilíbrio muito próprio. Por esses tempos, Volpi aproxima-se de artistas como Fúlvio Pennachi e Francisco Rebolo Gonsales, integrando o Grupo Santa Helena. A denominação do grupo, e a inserção de Volpi nele, é oriunda mais de uma proximidade física dos pintores (que pintavam em uma sala do Edifício Santa Helena) e da sua origem comum do que de uma identificação estética. Volpi destoava do grupo especialmente por não ser um pintor conservador.
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                         Sereia



Em 1938, Volpi conhece o pintor italiano Ernesto de Fiori. O encontro seria muito frutífero para ambos, e se deu numa época muito oportuna para Volpi, que enveredava para um caminho de maior liberdade estética.


                  Mulata

Um acontecimento fundamental para a evolução de Volpi foi a sua “estada” em Itanhaém, entre 1939 e 1941. Sua esposa teve problemas de saúde e mudou-se para o litoral, a fim de se tratar. O artista a acompanhou, retornando a São Paulo apenas nos finais de semana, em que procurava vender suas obras. A gravidade da doença de Judite Volpi envolveu o artista em questionamentos que o fizeram rever sua obra e suas concepções, liberando um potencial criativo latente, ao qual Volpi finalmente conseguiria dar vazão. A tensão própria de situações-limite possibilitou para Volpi uma liberdade gestual que imprimiria uma nova dinâmica à sua obra. A série de marinhas que Volpi pinta a partir dessa época evidenciam uma obra muito própria que se desenvolveria gradualmente até atingir um ápice abstrato em que as composições eram compreendidas em termos de cores, linhas e formas. 

                   MADONA

Cabe ressaltar que Volpi recusava teorizações estéreis, mas estava sempre muito bem informado das correntes artísticas do seu tempo, embora não se filiasse explicitamente a nenhuma delas, já que sua trajetória era extremamente pessoal. Esse é um dos pontos que fazem dele um grande pintor: Volpi é moderno e atual sem se importar com rótulos artificiais. A diferença é que ele não precisava ser moderno ou popular; simplesmente era. 

               Festa de São João


CRONOLOGIA

1896 - Nasce em Lucca, na Itália.

1897 – A família Volpi vem para o Brasil.

1911 - Começa a trabalhar como pintor-decorador de paredes.

1914 – Data de sua primeira paisagem conhecida.

1934 – Volpi já participa das sessões conjuntas de desenho de modelo vivo no Grupo Santa Helena.

1937 – Expõe com a Família Artística Paulista.

1944 – Primeira exposição individual.

1950 – Primeira e única viagem à Europa, onde passa quase seis meses.

1952 – Participa da representação brasileira na Bienal de Veneza.

1953 – Prêmio de melhor pintor nacional, na II Bienal de São Paulo.

1956 – Exposição individual no MAM - SP (Museu de Arte Moderna) 

- Participa da exposição de arte concreta em São Paulo.

1957 – Participa da exposição de arte concreta no Rio de Janeiro.

- Exposição retrospectiva no MAM – RJ. 

1958 – Ganha o Prêmio Guggenheim.

- Realiza afrescos na capela Nossa Senhora de Fátima, em Brasília.

1959 – Exposição em Nova York.

- participação na V Mostra Internacional de Tóquio.

1960 – Sala Especial na VI Bienal de São Paulo.

1962 – Recebe o prêmio da crítica carioca, como melhor pintor do ano.

1964 – Participação na Bienal de Veneza.

1966 – Realiza o afresco Dom Bosco no Itamarati.

- Sala Especial na I Bienal da Bahia.

1970 – Ganha prêmio de pintura no II Panorama do MAM – SP.

1972 – Grande retrospectiva do MAM – RJ.

1973 – Recebe a medalha Anchieta da Câmara Municipal de São Paulo. Ordem de Rio Branco no grau de grão-mestre.

1975 – Grande retrospectiva do MAM – SP.

1976 – Comemoração dos seus 80 anos, em exposição retrospectiva: Volpi – a visão essencial, no Museu de Arte Contemporânea de Campinas.

1980 – Exposição Volpi, na FUNARTE, em Brasília.

1981 – Exposição - Volpi Metafísico, no Centro de Controle Operacional do Metrô de São Paulo.

1983 – Homenagem de rua “Pinte com Volpi”, organizada pela Paulistur.

1984 – Exposição Tradição e Ruptura, pela Fundação Bienal de São Paulo.

1986 – Em comemoração aos 80 anos de Volpi, o MAM - SP organiza uma importante retrospectiva, com a participação de 193 obras.

1988 – Morre em 28 de maio. 

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domingo, 21 de junho de 2015

LIMA DUARTE - BIOGRAFIA

                     
                                                                 Lima Duarte
Quando o boiadeiro Antônio José Martins mandou o filho de 16 anos ir conhecer o mundo, certamente não imaginava que naquele momento começava uma história que se confundiria com a própria história da TV brasileira. 
Nascido em 29 de março de 1930, na pequena cidade mineira de Nossa Senhora da Purificação do Desemboque e Santíssimo Sacramento, Ariclenes Venâncio Martins chegou a São Paulo em 1946, a bordo de um caminhão de mangas, sonhando trabalhar no rádio. 

Conseguiu marcar um teste na Tupi, mas foi reprovado por causa do seu forte sotaque caipira: “O sujeito virou para mim e disse: ‘Rapaz, de onde sai sua voz? Do sovaco?’, relembra. 
Ainda assim, arrumou um estágio de aprendiz de sonoplasta, até que suas imitações chamaram a atenção de Oduvaldo Vianna, que o convidou para trabalhar em uma de suas radionovela. 

Só faltava um nome artístico e ele ligou para a mãe, a artista circense América, que era médium, para se aconselhar: “Ela disse: ‘Põe o nome do meu guia de luz que você vai ser muito feliz. Ele se chama Lima Duarte’.”
 
Lima Duarte ficou 26 anos na Rádio Tupi. Na TV, participou do seu programa inaugural, em 18 de setembro de 1950, e de sua primeira telenovela, Sua Vida me Pertence, de Walter Forster. Em 1961, foi trabalhar no grupo Teatro de Arena: “O Teatro de Arena existiu, ou nasceu, em oposição ao TBC, o Teatro Brasileiro de Comédia, que era o grande teatro de São Paulo. 

O TBC era muito elitista, feito pelos italianos da indústria. Não sei por que não representavam em francês ou em italiano mesmo, era só repertório internacional, com atores de formação europeia, diretores europeus e um público completamente europeizado também. Eu, que tinha muito sucesso fazendo os caipiras no rádio, fui chamado por Augusto Boal, Chico de Assis e Oduvaldo Vianna, do Arena. 
A proposta era pôr o brasileiro em cena e achavam que eu era um ator assim, sem vício de importação.” Por sua atuação na peça O Testamento do Cangaceiro, recebeu o Prêmio Saci de Melhor Ator e uma bolsa de estudos em Nancy, na França, para onde foi em 1962. Fez parte do grupo até 1971, participando de importantes montagens e turnês, como na temporada de Arena conta Zumbi na Broadway.
 


Paralelamente ao Arena, continuou fazendo novelas na Tupi, como ator e diretor, entre elas Gutierritos, o Drama dos Humildes, de Walter George Durst, e O Direito de Nascer, Felix Caignet, ambas de 1964. 
Sua experiência mais bem-sucedida na emissora foi na direção de Beto Rockfeller (1968), de Bráulio Pedroso, com Luis Gustavo como protagonista, um marco da moderna dramaturgia brasileira de TV. 
A inovação na linguagem e os altos índices de audiência valeram a Lima e a Bráulio Pedroso o convite para ingressar na Globo. O primeiro trabalho da dupla na emissora carioca foi O Bofe (1972), que, entretanto, não obteve maior repercussão.
Após a experiência malsucedida, ele recebeu um convite para interpretar um matador em O Bem amado, de Dias Gomes, a primeira novela colorida da TV. Surgia, assim, um dos mais célebres tipos da televisão brasileira: Zeca Diabo. A princípio, o personagem iria aparecer em apenas três capítulos, mas ficou até fim: “O Zeca Diabo tinha tanta força, foi feito com tanto amor, cheio de ideias tão interessantes, que ele não pôde mais sair da novela e acabou matando o Odorico”, conta. 
E o sucesso foi tão grande que O Bem amado virou seriado, em 1980. Lima voltou a viver o personagem depois de participar de obras importantes, como Os ossos do Barão (1974), O Rebu (1975) e Pecado Capital(1976). 
O papel do solitário empresário Salviano Lisboa lhe valeu o prêmio de Melhor Ator da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA): “Eu pensava em um homem que viveu 25, 30 anos com uma mulher, e que não sabe nada do jogo amoroso, do jogo da conquista, afinal de contas é um homem que viveu para os filhos. Morre a mulher, mas ele ainda é vital. De repente, entra a secretária, de cabelos negros, um vestido amarelo, ele sente os apelos, mas não sabe jogar. Ele tinha medo de olhar para ela como uma mulher. E as mulheres começaram a gostar muito dele, porque ele não era grosseiro, tropeçava nas palavras, nos gestos”, diz. 
Outro trabalho marcante desta época foi O crime de Zé Bigorna, especial(1974), escrito por Lauro César Muniz, que protagonizou e dirigiu.

Em 1985, ajudou a criar outro personagem popular genuinamente brasileiro: o Sinhozinho Malta, de Roque Santeiro, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, que lhe valeu outro prêmio de Melhor Ator da APCA: “Na minha fase do Teatro de Arena, nós tínhamos o Seminário de Dramaturgia, onde pedíamos aos autores peças brasileiras e estudávamos as possibilidades de montá-las. 
O Dias enviou várias. Essa coisa do brasileiro, do patético, do grandioso, do maravilhoso, do mesquinho, do fantástico, do que o brasileiro é capaz, o Dias Gomes sabia muito e escreveu sobre isso”, diz. 
Depois, o ator ainda encarnou mais um tipo brasileiro marcante, o Sassá Mutema de O salvador da pátria (1989): “É a história de um homem que é o Brasil: um homem que caminha mais e mais sobre menos e menos. Ele era um nada. Era linda a história do Sassá Mutema, a metáfora dele era riquíssima. Isso foi conversado mesmo, foi proposto. Ele era nada, não sabia ler, não sabia escrever, não sabia amar, não sabia nada”, conta.

 


Contracenou com Zilda Cardoso em Meu bem, meu mal (1990), de Cassiano Gabus Mendes, na qual interpretou o magnata Dom Lázaro Venturini. 
Em seguida, atuou em novelas como Rainha da sucata(1990), de Silvio de Abreu; e Pedra sobre pedra (1992) e Fera ferida (1993/1994), ambas de de Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn. 
Em Pedra sobre pedra, foi Murilo Pontes, que mantinha uma relação apaixonada e conturbada com a Pilar Pontes de Renata Sorrah, na fictícia Resplendor. “Eu gostava daquele amor. Eu gosto muito dessas coisas desesperadas. Digo coisas que eu não diria nunca, visto uma roupa que eu não vestiria nunca, emito conceitos, vivo paixões que eu não viveria nunca. Quando você encontra uma companheira como a Renata Sorrah, que também é capaz de fingir que vive uma desesperada paixão, é muito gostoso”. 

O ambicioso e prepotente Major Bentes, que ditava as regras na cidade de Tubiacanga, em Fera ferida, é mais um papel inesquecível de sua carreira.
 
Fez ainda A próxima vítima (1995), de Silvio de Abreu; Uga Uga (2000), Carlos Lombardi; Belíssima(2005), também de Silvio de Abreu; e Araguaia (2010), de Walther Negrão. Em Da cor do pecado(2004), de João Emanuel Carneiro, viveu o amargurado empresário Afonso Lambertini; e em Caminho das índias (2009), interpretou o brâmane Shankar. A última, escrita por Gloria Perez e chamada lá fora de India - A Love Story, ganhou o prêmio Emmy Internacional de Melhor Telenovela.
Lima Duarte participou também de diversas minisséries da Globo. A primeira foi O tempo e o vento (1985), baseada na obra de Erico Verissimo. Atuou também em Agosto (1993), de Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, baseada no romance de  Rubem Fonseca; Engraçadinha...Seus amores e seus pecados (1995), de Leopoldo Serran, a partir da obra de Nelson Rodrigues; e O auto da compadecida(1999), adaptação da peça de Ariano Suassuna por Adriana Falcão, Guel Arraes e João Falcão.

No cinema, atuou em 31 filmes, entre eles O Grande Momento (1958), de Roberto Santos; Guerra Conjugal (1975), de Joaquim Pedro de Andrade; A Queda (1976), de Ruy Guerra; Sargento Getúlio(1978), de Hermano Penna, que lhe deu o prêmio de Melhor Ator nos festivais de Gramado e de Havana; Os Sete Gatinhos (1980), de Neville d’Almeida; Corpo em Delito (1990), de Nuno César Abreu;A Ostra e o Vento (1997), de Walter Lima Jr.; Eu Tu Eles (2000), de Andrucha Waddington; Palavra e Utopia, do português Manoel de Oliveira, no qual interpretou o Padre Antônio Vieira; e Filhos deFrancisco (2005), de Breno Silveira. 
É padrasto da atriz Débora Duarte e avô das também atrizes Paloma e Daniela Duarte.
[Depoimentos concedidos ao Memória Globo por Lima Duarte em 22/05/2001 e 09/05/2011.]
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